PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

RD Congo retoma exportação de cobalto após 10 meses

Trabalhadores direcionam o tráfico na mina de Tenke Fungurume, uma das maiores minas de cobre e cobalto do mundo, na região sudeste da República Democrática do Congo, 17 de junho de 2023

Trabalhadores direcionam o tráfico na mina de Tenke Fungurume, uma das maiores minas de cobre e cobalto do mundo, na região sudeste da República Democrática do Congo, 17 de junho de 2023

— Emmet Livingstone/AFP

25 de dezembro de 2025

Na terça-feira (23), o governo da República Democrática do Congo anunciou a retomada das exportações de cobalto do país, após uma paralisação de dez meses. A suspensão teve como objetivo conter a queda dos preços devido ao excesso de oferta global, informou o governo na terça-feira (23).

A RDC é a maior produtora mundial de cobalto — um metal essencial para baterias de eletrônicos, incluindo as usadas em smartphones e carros elétricos.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Inicialmente imposta por quatro meses, a interrupção foi planejada para estabilizar o mercado “diante de uma superabundância de oferta” internacional, disse o governo na época.

“Desde sexta-feira, a República Democrática do Congo retomou a exportação de seu cobalto”, disse o ministro das Finanças, Doudou Fwamba, a repórteres, conforme informações da agência francesa AFP, acrescentando que a medida foi projetada para garantir a “soberania nacional sobre as matérias-primas”.

A RDC produziu quase 76% do cobalto mundial em 2024, de acordo com informações publicadas pelo Serviço Geológico dos EUA.

“Como podemos ser o fornecedor número um de 70% deste produto estratégico e ainda assim não influenciar a formação de preços? Nós nos recusamos a aceitar isso”, disse Fwamba, ainda segundo a AFP. Fwamba disse ainda que estratégia valeu a pena: “O preço do cobalto subiu de US$ 22.000 [cerca de R$ 122,4] por tonelada para US$ 54.000 [cerca de R$ 300,4] ou US$ 55.000 [cerca de R$ 306.000]”, afirmou.

A proibição de exportação visava conter a queda nos preços causada pelo aumento da oferta, notadamente da mineradora chinesa CMOC. A empresa opera a Tenke Fungurume e a Kisanfu na RDC — duas das maiores minas do mundo.

Apesar de sua riqueza mineral, a RDC permanece entre os países menos desenvolvidos do mundo, e a competição por seus minerais tem gerado no país conflitos, corrupção, contrabando e má gestão.

A mineração artesanal, que responde por entre 3% e 5% da produção total congolesa, permanece associada a abusos de direitos humanos, segundo especialistas.

O cobalto é extraído principalmente de minas na província de Katanga, no sudeste do país. A região tem sido amplamente poupada do conflito armado que devasta as províncias mineradoras do leste, Kivu do Norte e Kivu do Sul, onde a milícia M23, apoiada por Ruanda, controla vastas faixas de território.

Texto com informações da agência francesa AFP

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Solon Neto

    Cofundador e diretor de comunicação da agência Alma Preta Jornalismo; mestre e jornalista formado pela UNESP; ex-correspondente da agência internacional Sputnik News.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano