Na terça-feira (23), o governo da República Democrática do Congo anunciou a retomada das exportações de cobalto do país, após uma paralisação de dez meses. A suspensão teve como objetivo conter a queda dos preços devido ao excesso de oferta global, informou o governo na terça-feira (23).
A RDC é a maior produtora mundial de cobalto — um metal essencial para baterias de eletrônicos, incluindo as usadas em smartphones e carros elétricos.
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Inicialmente imposta por quatro meses, a interrupção foi planejada para estabilizar o mercado “diante de uma superabundância de oferta” internacional, disse o governo na época.
“Desde sexta-feira, a República Democrática do Congo retomou a exportação de seu cobalto”, disse o ministro das Finanças, Doudou Fwamba, a repórteres, conforme informações da agência francesa AFP, acrescentando que a medida foi projetada para garantir a “soberania nacional sobre as matérias-primas”.
A RDC produziu quase 76% do cobalto mundial em 2024, de acordo com informações publicadas pelo Serviço Geológico dos EUA.
“Como podemos ser o fornecedor número um de 70% deste produto estratégico e ainda assim não influenciar a formação de preços? Nós nos recusamos a aceitar isso”, disse Fwamba, ainda segundo a AFP. Fwamba disse ainda que estratégia valeu a pena: “O preço do cobalto subiu de US$ 22.000 [cerca de R$ 122,4] por tonelada para US$ 54.000 [cerca de R$ 300,4] ou US$ 55.000 [cerca de R$ 306.000]”, afirmou.
A proibição de exportação visava conter a queda nos preços causada pelo aumento da oferta, notadamente da mineradora chinesa CMOC. A empresa opera a Tenke Fungurume e a Kisanfu na RDC — duas das maiores minas do mundo.
Apesar de sua riqueza mineral, a RDC permanece entre os países menos desenvolvidos do mundo, e a competição por seus minerais tem gerado no país conflitos, corrupção, contrabando e má gestão.
A mineração artesanal, que responde por entre 3% e 5% da produção total congolesa, permanece associada a abusos de direitos humanos, segundo especialistas.
O cobalto é extraído principalmente de minas na província de Katanga, no sudeste do país. A região tem sido amplamente poupada do conflito armado que devasta as províncias mineradoras do leste, Kivu do Norte e Kivu do Sul, onde a milícia M23, apoiada por Ruanda, controla vastas faixas de território.
Texto com informações da agência francesa AFP