A Organização das Nações Unidas (ONU) fez um apelo por US$ 33,2 milhões (R$ 182,4 milhões) em financiamento urgente para ajudar mais de 80 mil pessoas que fugiram para o Burundi após o mais recente avanço do grupo armado M23 no leste da República Democrática do Congo (RDC).
O M23, apoiado por Ruanda, lançou uma nova ofensiva no início de dezembro perto da fronteira com o Burundi, poucos dias após Ruanda e a RDC assinarem um acordo de paz em Washington.
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O grupo tomou o controle da cidade de Uvira, com centenas de milhares de habitantes, no dia 10 de dezembro. A captura deu ao M23 o controle da fronteira terrestre com o Burundi, aliado da RDC. Sob pressão dos Estados Unidos, o grupo anunciou uma retirada, mas fontes locais e de segurança relataram que alguns de seus agentes de polícia e inteligência ainda permaneciam na cidade nesta quinta-feira (18).
O pedido de recursos da ONU busca garantir condições mínimas de recepção, alimentação, saúde e proteção aos refugiados. O plano prevê a coordenação com o governo burundês e parceiros humanitários para responder ao aumento do deslocamento forçado provocado pelo conflito no leste da RDC.
Situação humanitária é descrita como “catastrófica”
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) afirmou que, após os confrontos violentos em Kivu do Sul, um “influxo significativo de refugiados” ocorreu desde 5 de dezembro. A agência estima a chegada de quase 80 mil pessoas através de vários pontos de entrada. Os refugiados incluem 71.989 congoleses e 8 mil burundineses. A ONU espera um total de 90 mil novos chegados.
Autoridades burundinesas descreveram a situação como grave. O presidente da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), Ezechiel Nibigira, relatou 25 mil refugiados em Gatumba e cerca de 40 mil em Buganda, a maioria “completamente desamparada”.
O administrador da cidade de Rumonge, Augustin Minani, disse à AFP que a situação em sua comuna é “catastrófica”, com 20 a 25 mil refugiados que “carecem de tudo” e cuja “vasta maioria morre de fome“.
Em uma publicação feita nesta sexta-feira (19), a ONU contabilizou mais de 200 mil deslocados devido à ofensiva, mas não está claro quantos estão agora no Burundi.