PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Aliança de Burkina Faso, Mali e Níger condena sequestro de Maduro pelos EUA e pede ação da ONU

Líderes dos países africanos classificam operação dos EUA como 'ato de agressão' e violação do direito internacional, em apoio à Venezuela
O líder de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, participa de encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante as celebrações dos 80 anos da vitória da União Soviética sobre os nazistas na 2ª Guerra Mundial, Moscou, 10 de maio de 2025

O líder de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, participa de encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante as celebrações dos 80 anos da vitória da União Soviética sobre os nazistas na 2ª Guerra Mundial, Moscou, 10 de maio de 2025

— Angelos Tzortzinis/AFP

8 de janeiro de 2026

A Aliança dos Estados do Sahel (AES), bloco formado por Burkina Faso, Mali e Níger, condenou a deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (8), o grupo classificou a captura de Maduro por forças especiais dos Estados Unidos como um “ato de agressão” contra o país sul-americano. 

A AES afirmou que o ato “violou o direito internacional” e emitiu um apelo para que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condene a intervenção e restaure a legalidade internacional na Venezuela.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Os três países da África Ocidental têm governos militares que assumiram o poder em levantes ocorridos entre 2020 e 2023 e mantêm relações próximas com a Venezuela e a Rússia. As nações do Sahel também têm relações tensas com algumas potências ocidentais, especialmente a França, que colonizou os três países até 1960.

O líder de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, que assinou a declaração na condição de presidente rotativo da aliança, encontrou-se com Maduro em Moscou no ano passado.

Comunicado em francês divulgado em 8 de janeiro de 2026 pela Aliança dos Estados do Sahel (AES), bloco formado por Burkina Faso, Mali e Níger, condenando ataques dos Estados Unidos à Venezuela
Comunicado em francês divulgado em 8 de janeiro de 2026 pela Aliança dos Estados do Sahel (AES), bloco formado por Burkina Faso, Mali e Níger, condenando ataques dos Estados Unidos à Venezuela (Reprodução/Redes Sociais)

Ataque à Venezuela e petróleo

Forças especiais dos EUA sequestraram Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores, em uma invasão militar a Caracas no último sábado (3), deixando dezenas de mortos, conforme publicou o jornal The New York Times. Maduro e Flores foram levados para Nova Iorque, onde o presidente se declarou inocente em uma audiência na segunda-feira (5) diante de acusações de tráfico de drogas. 

Em declarações após o ataque, o presidente norte-americano, Donald Trump, tem apontado que a principal motivação da ação é o controle do petróleo venezuelano. O país sul-americano tem as maiores reservas do mundo do hidrocarboneto.

“Vamos ter nossas grandes petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, entrando [na Venezuela], gastando bilhões de dólares, consertando a infraestrutura danificada — a infraestrutura do petróleo — e começar a fazer dinheiro para o país”, disse o Trump em coletiva após os ataques.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano