A Aliança dos Estados do Sahel (AES), bloco formado por Burkina Faso, Mali e Níger, condenou a deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (8), o grupo classificou a captura de Maduro por forças especiais dos Estados Unidos como um “ato de agressão” contra o país sul-americano.
A AES afirmou que o ato “violou o direito internacional” e emitiu um apelo para que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condene a intervenção e restaure a legalidade internacional na Venezuela.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Os três países da África Ocidental têm governos militares que assumiram o poder em levantes ocorridos entre 2020 e 2023 e mantêm relações próximas com a Venezuela e a Rússia. As nações do Sahel também têm relações tensas com algumas potências ocidentais, especialmente a França, que colonizou os três países até 1960.
O líder de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, que assinou a declaração na condição de presidente rotativo da aliança, encontrou-se com Maduro em Moscou no ano passado.

Ataque à Venezuela e petróleo
Forças especiais dos EUA sequestraram Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores, em uma invasão militar a Caracas no último sábado (3), deixando dezenas de mortos, conforme publicou o jornal The New York Times. Maduro e Flores foram levados para Nova Iorque, onde o presidente se declarou inocente em uma audiência na segunda-feira (5) diante de acusações de tráfico de drogas.
Em declarações após o ataque, o presidente norte-americano, Donald Trump, tem apontado que a principal motivação da ação é o controle do petróleo venezuelano. O país sul-americano tem as maiores reservas do mundo do hidrocarboneto.
“Vamos ter nossas grandes petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, entrando [na Venezuela], gastando bilhões de dólares, consertando a infraestrutura danificada — a infraestrutura do petróleo — e começar a fazer dinheiro para o país”, disse o Trump em coletiva após os ataques.