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Coalizão Afro-Latino-Americana condena ataques à Venezuela e repudia interesse extrativista dos EUA

A CITAFRO emitiu comunicado contra a ação militar e alerta para o risco de "neocolonização imperial"; Brasil e outros países também condenam violação da soberania venezuelana
Um manifestante pisa numa bandeira americana queimada enquanto segura uma bandeira venezuelana durante uma manifestação condenando o ataque dos EUA à Venezuela e a prisão do líder venezuelano Nicolás Maduro, perto da embaixada dos EUA em Manila, em 5 de janeiro de 2026.

Um manifestante pisa numa bandeira americana queimada enquanto segura uma bandeira venezuelana durante uma manifestação condenando o ataque dos EUA à Venezuela e a prisão do líder venezuelano Nicolás Maduro, perto da embaixada dos EUA em Manila, em 5 de janeiro de 2026.

— Ted ALJIBE / AFP

5 de janeiro de 2026

A Coalizão Internacional de Territórios e Povos Afrodescendentes da América Latina e do Caribe (CITAFRO) divulgou, no sábado (3), um comunicado no qual condena ações militares dos Estados Unidos contra a Venezuela e reafirma a defesa da soberania, da autodeterminação dos povos e do direito internacional. 

O texto critica “enfaticamente o ataque perpetrado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e o Departamento de Estado norte-americano contra a República Bolivariana da Venezuela”. A CITAFRO afirma que os acontecimentos recentes ameaçam a paz regional e representam uma violação direta da ordem internacional, com impactos para toda a América Latina e o Caribe.

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A coalizão, presente em 16 países da América Latina e do Caribe, rejeita o uso da força armada e qualquer forma de intervenção militar, destacando que a violência como instrumento de política externa fere princípios básicos de convivência entre as nações. 

A CITAFRO também lamenta as mortes de civis decorrentes de operações militares e afirma que cada perda de vida deve ser atribuída à responsabilidade de quem promove a guerra.

Defesa da autodeterminação e do direito internacional

A organização reafirma a autodeterminação dos povos e o direito de cada nação de viver sem ingerências externas ou imposição de modelos políticos e econômicos. O texto cita o artigo 2º, parágrafo 4, da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.

A CITAFRO faz um apelo às Nações Unidas, à Organização dos Estados Americanos (OEA) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), além de governos de diferentes orientações políticas, para que atuem pelo fim do que classifica como hostilidades e ameaças à Venezuela, com o objetivo de preservar a América Latina e o Caribe como território de paz.

O comunicado convoca os povos latino-americanos e caribenhos à unidade diante do que denomina de neocolonização imperial. Segundo a CITAFRO, apenas a solidariedade e a ação conjunta podem assegurar a defesa da soberania, dos recursos naturais e do direito à construção de sociedades com justiça social.

A coalizão também condena ameaças atribuídas ao presidente dos Estados Unidos contra os governos de Cuba e da Colômbia, que, segundo o texto, integram uma estratégia de intimidação regional. Além disso, o documento critica interesses ligados à exploração petrolífera na Venezuela e defende a transição para um modelo energético que reduza a dependência de combustíveis fósseis, com foco em justiça ambiental e bem-estar das comunidades.

Brasil e outros países emitem posicionamento conjunto

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também se posicionou. Ele afirmou que os “bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável” e representam uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela”. Lula disse que a ação é “um precedente extremamente perigoso” e que “lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina”.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) emitiu uma declaração conjunta com os governos do México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha. O texto expressa “profunda preocupação e rechaço diante das ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela”. Os países afirmaram que tais ações “constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais”.

A declaração conjunta reitera que “a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos” e reafirma “o caráter da América Latina e do Caribe como zona de paz”. Os países também manifestaram “preocupação diante de qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos”.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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