O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha anunciou planos para sediar uma conferência de ajuda ao Sudão na primavera. O objetivo é arrecadar fundos de emergência para o país africano, devastado por um conflito que completa mil dias. A informação é da Agence France-Presse (AFP).
A porta-voz do ministério, Kathrin Deschauer, afirmou que o evento deve ocorrer próximo ao aniversário do início da guerra civil, em abril de 2023. Conferências de ajuda semelhantes aconteceram em Paris, em 2024, e em Londres, em 2025.
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O combate entre as forças armadas sudanesas e a milícia paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF) causou estragos no país. A Organização das Nações Unidas (ONU) classifica a situação como a maior crise humanitária do mundo. Chamadas internacionais por um cessar-fogo não conseguiram parar os combates.
Ambos os lados enfrentam acusações de crimes de guerra. A RSF tem origem nas milícias Janjaweed, acusadas de genocídio em Darfur há duas décadas.
ONU detalha cenário de deslocamento em massa e fome
Dados atualizados da ONU indicam que 9,3 milhões de pessoas foram deslocadas pelo conflito em todo o Sudão, e mais de 4,3 milhões fugiram para outros países, sobrecarregando nações vizinhas. Mais de 21 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar aguda.
Muitos deslocados retornaram à capital, Cartum, mas enfrentam perigos como armas não detonadas. Em outras regiões, como Cordofão, os combates persistem e cercos a cidades como Kadugli e Dilling restringem o acesso a alimentos, saúde e mercados.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou que, em média, 5.000 crianças são deslocadas a cada dia desde o início do conflito.
“Muitas foram deslocadas não uma, mas repetidas vezes, com a violência as seguindo para onde fogem”, disse o porta-voz da UNICEF, Ricardo Pires, em nota. Oito crianças morreram em um ataque em Al Obeid, no Cordofão do Norte, nesta semana.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) alerta que cerca de 12 milhões de pessoas, a maioria mulheres e meninas, correm risco de violência de gênero. Lares chefiados por mulheres têm três vezes mais probabilidade de enfrentar insegurança alimentar.