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Após mil dias de guerra no Sudão, conferência internacional humanitária é anunciada na Alemanha

País europeu planeja evento em abril para arrecadar fundos emergenciais; ONU alerta que crise já deslocou 9,3 milhões de pessoas e deixou mais de 21 milhões em insegurança alimentar aguda
Esta foto de satélite obtida em 11 de agosto do Planet Labs PBC e datada de 10 de agosto de 2025 mostra uma vista do aeroporto em Nyala, capital do estado de Darfur do Sul, região de fronteira do Sudão do Sul.

Esta foto de satélite obtida em 11 de agosto do Planet Labs PBC e datada de 10 de agosto de 2025 mostra uma vista do aeroporto em Nyala, capital do estado de Darfur do Sul, região de fronteira do Sudão do Sul.

— 2025 Planet Labs PBC/AFP

9 de janeiro de 2026

O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha anunciou planos para sediar uma conferência de ajuda ao Sudão na primavera. O objetivo é arrecadar fundos de emergência para o país africano, devastado por um conflito que completa mil dias. A informação é da Agence France-Presse (AFP).

A porta-voz do ministério, Kathrin Deschauer, afirmou que o evento deve ocorrer próximo ao aniversário do início da guerra civil, em abril de 2023. Conferências de ajuda semelhantes aconteceram em Paris, em 2024, e em Londres, em 2025. 

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O combate entre as forças armadas sudanesas e a milícia paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF) causou estragos no país. A Organização das Nações Unidas (ONU) classifica a situação como a maior crise humanitária do mundo. Chamadas internacionais por um cessar-fogo não conseguiram parar os combates. 

Ambos os lados enfrentam acusações de crimes de guerra. A RSF tem origem nas milícias Janjaweed, acusadas de genocídio em Darfur há duas décadas.

ONU detalha cenário de deslocamento em massa e fome

Dados atualizados da ONU indicam que 9,3 milhões de pessoas foram deslocadas pelo conflito em todo o Sudão, e mais de 4,3 milhões fugiram para outros países, sobrecarregando nações vizinhas. Mais de 21 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar aguda. 

Muitos deslocados retornaram à capital, Cartum, mas enfrentam perigos como armas não detonadas. Em outras regiões, como Cordofão, os combates persistem e cercos a cidades como Kadugli e Dilling restringem o acesso a alimentos, saúde e mercados. 

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou que, em média, 5.000 crianças são deslocadas a cada dia desde o início do conflito. 

“Muitas foram deslocadas não uma, mas repetidas vezes, com a violência as seguindo para onde fogem”, disse o porta-voz da UNICEF, Ricardo Pires, em nota. Oito crianças morreram em um ataque em Al Obeid, no Cordofão do Norte, nesta semana. 


O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) alerta que cerca de 12 milhões de pessoas, a maioria mulheres e meninas, correm risco de violência de gênero. Lares chefiados por mulheres têm três vezes mais probabilidade de enfrentar insegurança alimentar.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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