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Peça ‘Sizwe Banzi está morto’ reflete sobre a desumanização presente na segregação racial

Espetáculo de Réggis Silva tem temporada em São Paulo de 26 de fevereiro a 29 de março de 2026
Cena do espetáculo "Sizwe Banzi está morto".

Cena do espetáculo "Sizwe Banzi está morto".

— Kim Leekyung/Divulgação

15 de fevereiro de 2026

Escrita por Athol Fugard, John Kani e Winston Ntshona em 1972, a peça “Sizwe Banzi está morto” aborda as injustiças do apartheid na África do Sul. Interessado em discutir a opressão à população negra, presente até os dias de hoje, o ator Réggis Silva decidiu montar o espetáculo. A temporada, composta de 20 apresentações, acontece entre os dias 26 de fevereiro e 29 de março, no Galpão do Folias, em São Paulo. Duas sessões serão acessíveis a pessoas com deficiência, com recursos de Libras e audiodescrição.

Réggis Silva juntou-se a Carlos Francisco, ator do Longa-metragem “O Agente Secreto” e considerado melhor ator no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2023 por “Marte Um”, e ao diretor Ricardo Rodrigues, da aclamada peça “Prot{agô}nistas – O Movimento Negro no Picadeiro”, para conduzir uma experiência única no palco. O trabalho retoma o estilo narrativo da África Ocidental, centrado na figura dos djélis/griôs, os grandes guardiões da memória de seu povo. A trilha sonora é assinada pelo rapper Rincon Sapiência.

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“O eixo da criação está no trabalho dos atores. Por isso, queremos destacar o poder das palavras. Nesse sentido, a ideia é que nada tire o foco da interpretação, o que vai resultar em um cenário nada excessivo, com elementos multiuso”, diz Réggis Silva.

Na trama, em algum momento durante as quatro décadas sombrias de apartheid, o estúdio fotográfico de Styles, em Porto Elizabeth, se tornou o epicentro de uma saga humana pungente. Marcado pelo estigma da desconfiança, Sizwe Banzi busca refúgio sob o olhar atento das lentes e o estalar dos flashes.

Entretanto, ele é pressionado a alterar sua identidade para se adequar às regras opressivas da sociedade em que vive. Preocupado com o sustento de sua família, Banzi abdica de seu próprio nome e legado, assumindo a identidade de Robert Zwelinzima, um homem morto, que lhe oferece a perspectiva de um novo começo.

Para Réggis, essa situação ultrapassa a simples luta pela sobrevivência. Trata-se de um reflexo da batalha incessante pela dignidade em meio a uma sociedade racista. “Precisamos conviver com a segregação diariamente, em todos os lugares e momentos. Basta olhar em volta: quantos negros circulam nos lugares que você frequenta?”, comenta o artista.

Preservação da identidade

Em Sizwe Banzi está Morto, o estúdio de Styles transforma-se em um oásis de esperança onde as identidades podem ser registradas, reinventadas, e as memórias preservadas. É lá que o personagem-título, confrontado pela realidade brutal de um sistema que nega sua humanidade, decide forjar um novo destino.

A câmera de Styles grava a essência da resistência humana, a vontade de existir par aalém dos horrores inventados pelo sistema de poder branco. Ao mesmo tempo, a fotografia de Banzi/Zwelinzima, além de registar a opressão, configura-se como um documento de liberdade, um testemunho da coragem de reescrever sua história em um mundo que insiste em apagá-la.

“Acreditamos que apresentar um olhar brasileiro sobre o apartheid, um tema tão relevante que afeta as pessoas no mundo inteiro, é importantíssimo. Infelizmente, a segregação ainda deixa as suas marcas”, acrescenta o idealizador do espetáculo.

Atividades paralelas

Além do espetáculo, o projeto prevê bate-papos entre o público e o elenco sobre o processo criativo e temas artísticos, narrativos, históricos e sociais relevantes à obra.

Outra atividade é a oficina de formação “Teatralidades Negras”, ministrada pelo historiador e doutor em História Salloma Salomão. Serão disponibilizadas 50 vagas para um público diverso. Nos encontros, guiados pelas obras de Leda Maria Martins e Adriana Paixão, serão debatidos temas como a exploração da negritude, a análise de obras de artistas negros, as performatividades afrodiaspóricas e o estudo dos teatros negros e suas teatralidades, culminando em uma discussão sobre dramaturgias negras contemporâneas.

Serviço

Espetáculo “Sizwe Banzi está morto”
Data: 26 de fevereiro a 29 de março de 2026, de quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 19h
Local: Galpão do Folias – Rua Ana Cintra, 213 – Campos Elíseos, São Paulo – SP
Ingresso: R$ 20 (inteira) R$ 10 (meia)
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos

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