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Centro cultural celebra 28 anos da Sambada de Coco do Guadalupe em Pernambuco

Programação conta com capoeira, coco de roda, afoxé e música eletrônica; confira
A Ialorixá Mãe Beth de Oxum, liderança da Sambada de Coco do Guadalupe.

A Ialorixá Mãe Beth de Oxum, liderança da Sambada de Coco do Guadalupe.

— Divulgação/Assessoria de imprensa

5 de junho de 2026

Neste sábado (6) o Centro Cultural do Coco de Umbigada, localizado no Beco da Macaíba, em Olinda (PE), realiza uma edição especial da Sambada de Coco do Guadalupe, que também denuncia o racismo ambiental que vulnerabiliza as casas de culto de matriz africana e indígena e seus praticantes, além de espaços culturais. O evento tem acesso gratuito. 

A programação musical inicia a partir das 20h com a participação de grupos que já fazem parte da história da Sambada que é liderada pela Ialorixá Mãe Beth de Oxum ao lado de Mestre Quinho, filhos consanguíneos, filhos do terreiro, do bairro, além de parceiros diversos.

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Capoeira, Coco de Roda, Afoxé e música eletrônica estarão representados na programação que, além do Coco de Umbigada, conta com as participações de DJ MK, Grupo Luz de Angolinha com Mestra Di, Afoxé Babá Orixalá Funfun, Marcela Souza, Mestra Ana Lúcia, Grupo Flor de Catemba e Neto da xambá.

“São 28 anos que fazemos o nosso coco, a idade da minha filha Ialodê. É uma noite de celebração, festa e resistência. Poucos grupos tiveram a coragem de segurar uma resistência tão grande. Por um lado, nossa história é marcada pela violência policial, tivemos instrumentos saqueados, respondi quatro processos na justiça pelo crime de fazer Coco, e celebramos a superação de, apesar de tudo isso, resistir, e nos tornar um patrimônio de Olinda, articular a comunidade mensalmente. Através dessa ação, a gente também influenciou outros movimentos de Sambadas que nasceram no Estado”, comenta a Ialorixá.  

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A edição de junho acontece no contexto da realização da 6ª Teia Nacional de Pontos de Cultura, realizada em maio passado no município de Aracruz, no Espírito Santo. O Centro Cultural Coco de Umbigada integrou a delegação de Pernambuco representando toda a rede mobilizada por meio das ações desenvolvidas enquanto Pontão Memória Viva, que realizou ainda a TEIA estadual.

Outra iniciativa capitaneada pelo Pontão foi a criação da plataforma Memória Viva, que reúne dados sobre a cadeia da cultura popular estadual com o objetivo de oferecer um mapeamento sobre as principais demandas e necessidades do setor. 

O Pontão Coco de Umbigada promove ações de formação política e de qualificação e conscientização da juventude. Seguindo seu cunho político, a edição comemorativa da Sambada também denuncia o racismo ambiental que tem precarizado os espaços de cultura e casas de axé de Pernambuco.

No início de maio, as fortes chuvas que afetaram o estado provocaram uma série de prejuízos estruturais que também foram sentidos pelo Ilé Àṣè Osún Karé, localizado em Maranguape (Paulista), que é liderado por Mãe Beth de Oxum.

“Foi uma situação calamitosa. As águas invadiram o nosso terreiro, os santos ficaram boiando, foi desesperador”, descreve a líder religiosa, que quer provocar o debate sobre estratégias de preservação dos terreiros e equipamentos ligados à cultura negra, quilombola e indígena.

Além das apresentações musicais, a Sambada do Guadalupe também promoverá homenagens a artistas, lideranças religiosas e brincantes da cultura popular pernambucana.

Na ocasião, o Pontão Memória Viva também aproveita para apresentar uma síntese dos principais pontos e diretrizes abordados ao longo da TEIA Nacional e convocar a classe artística a se engajar com os debates sobre as políticas culturais e estratégias de sustentabilidade para toda cadeia produtiva da cultura. 

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