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Decreto no Ceará nomeia vítimas de letalidade policial como ‘opositoras’; entidades cobram revogação

Assinado pelo governador Elmano de Freitas (PT), o decreto também altera a classificação de mortes por intervenção policial, que passam a ser registrados como “homicídio decorrente de oposição à intervenção policial”
O governador do Ceará, Ermano de Freitas (PT).

O governador do Ceará, Ermano de Freitas (PT).

— Reprodução/Alece

13 de fevereiro de 2026

O Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará (Adufc) assinou, na quinta-feira (12), uma nota denunciando a medida que nomeia vítimas como “opositoras” em procedimentos policiais sobre lesão corporal ou morte decorrente de intervenção de agente do Estado.

O Decreto nº 37.130/2026 foi assinado pelo governador Elmano de Freitas (PT) no dia 6 de fevereiro e também altera a classificação dos casos para “lesão corporal decorrente de oposição à intervenção policial” ou “homicídio decorrente de oposição à intervenção policial”.

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A alteração também se estende à identificação dos próprios policiais, que, em caso de morte ou lesão, passarão a ser chamados de “interventores”.

A manifestação do Adufc, que conta com a participação de mais de 100 organizações da sociedade civil, aponta que a narrativa de Freitas trata a letalidade policial como símbolo de eficiência. As organizações exigem a revogação imediata do documento.

“Estimular a ampliação de mortes por intervenção policial é um equívoco que produz óbitos evitáveis. A boa política de segurança é aquela que restaura direitos, faz cumprir a lei, promove a paz e preserva vidas”, diz trecho do comunicado. 

De acordo com dados da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (SUPESP), apresentados pelas organizações na nota, o ano de 2025 concentrou 200 mortes por intervenção policial. 

“O crescimento contínuo destas mortes pode indicar o uso ilegítimo da força, especialmente em um contexto no qual o governo amplia operações policiais letais, investe massivamente em um modelo meramente repressivo e sustenta um discurso que trata a letalidade como sinônimo de eficiência”.

Para o sindicato, o decreto contribui para o aprofundamento da violência institucional, pois favorece a não responsabilização de agentes estatais. A entidade também alerta para o risco da norma ser utilizada como justificativa prévia para mortes cometidas por agentes em serviço. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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