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Série ‘Estopim’ investiga as origens da violência de gênero

Produção documental propõe um novo olhar sobre o true crime ao analisar as causas estruturais por trás de casos que marcaram o país
Mulheres em um ato contra a violência de gênero no Rio de Janeiro. Cena da série "Estopim".

Mulheres em um ato contra a violência de gênero no Rio de Janeiro. Cena da série "Estopim".

— Canal Brasil/Divulgação

1 de março de 2026

O true crime, gênero cada vez mais presente no audiovisual, ganha uma nova abordagem em “Estopim”, série documental que estreia no Canal Brasil no dia 8 de março, Dia  Internacional da Mulher. Sem se limitar à investigação policial e à responsabilização  individual dos casos, a produção volta o olhar para os contextos sociais, culturais e  institucionais que ajudam a explicar por que a violência de gênero continua tão presente no  país.

Com direção de Ana Teixeira e produção da Escafandra Transmedia, a série conta com cinco episódios, que serão exibidos ao longo da semana de estreia, às 21h, cada um dedicado a um tipo de crime: político, conjugal, sexual, de ódio e invisibilizado.  

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A partir de casos conhecidos do público, Estopim analisa a reação da sociedade, da mídia e do sistema de justiça, ao mesmo tempo em que investiga os fatores históricos e culturais  que contribuem para que essas violências continuem. Ao buscar as circunstâncias que  antecedem a “explosão”, a série transforma relatos de crimes em uma reflexão sobre  memória, responsabilidade coletiva e transformação social.

Realizada por uma equipe composta majoritariamente por mulheres, a produção reúne entrevistas com algumas das  principais vozes do debate público sobre violência de gênero, como Maria da Penha, Anielle Franco, Mônica Benício, Valeska Zanello e Soraia Mendes, entre outras especialistas, ativistas e pesquisadoras.  

Segundo a diretora Ana Teixeira, o projeto nasceu de um questionamento sobre o true crime, gênero que inspira o projeto. “E se buscassem os culpados para além dos que apertaram o  gatilho? Se o feminicídio é o grau máximo de violência contra mulher, rebobinar a fita e  questionar o caminho que leva até essas agressões poderia ajudar a evitar novas mortes”,  afirma. 

Com direção de arte e ilustração de Lívia Serri Francoio e Luma Flôres, a série aposta em animações e imagens metafóricas que atravessam os episódios. Os recursos ajudam a  abordar os casos de forma a preservar as vítimas e evitando a exposição direta das situações  retratadas. Dividida por tipos de violência, a série revisita histórias que mobilizaram o país e  outras que receberam pouca atenção da mídia.

O primeiro episódio, “Crimes Políticos” examina assassinatos com motivação política  que tiveram mulheres como alvo. A partir dos casos de Marielle Franco, Patrícia Acioli e Dora Barcellos, o capítulo mostra que essas mortes não são casos isolados e aponta falhas  das instituições, além da violência de gênero que está presente nessas histórias.

Já o segundo, “Crimes  Conjugais” analisa casos cometidos em relações afetivas, muitas vezes classificados  como “passionais”. Ao revisitar os casos de Eloá Pimentel, Ângela Diniz e Sandra Gomide,  a série questiona a cultura de posse sobre o corpo feminino e retoma o debate sobre a  violência doméstica. O episódio traz o depoimento de Maria da Penha e reflete sobre os  avanços da lei. 

Terceiro episódio, “Crimes Sexuais” parte dos casos de Aída Curi e Mônica Granuzzo para mostrar  como abusos, estupros e assassinatos costumam ser tratados de forma sensacionalista,  muitas vezes tirando o foco da origem da violência sexual e reforçando a objetificação do  corpo feminino. Em “Crimes de Ódio”, a série revisita as histórias de Gisberta Salce,  Dandara, Luana Barbosa e Carol Campêlo para tratar de assassinatos motivados por  preconceito e intolerância. O episódio mostra como gênero, identidade de gênero, orientação  sexual, raça e classe social marcam essas histórias. 

Encerrando a temporada, “Crimes Invisibilizados” aborda feminicídios que permanecem fora do debate público em razão da origem, classe ou etnia das vítimas. Ao  destacar também a Marcha das Margaridas como símbolo de resistência coletiva, o episódio  ressalta a força da mobilização social em um contexto em que esses crimes muitas vezes  recebem pouca atenção. A marcha é uma mobilização nacional de trabalhadoras rurais que  reivindica direitos sociais e o combate à violência contra mulheres do campo e da floresta. Realizada desde 2000, a cada quatro anos reúne manifestantes em Brasília. 

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