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‘Ópera do Malandro’ celebra potência da cultura negra na formação do teatro musical brasileiro

Montagem inédita conecta obra de Chico Buarque ao sincretismo popular, à Umbanda e às entidades do povo da rua, reafirmando a centralidade da cultura negra na identidade artística nacional
Os atores Amaury Lorenzo e Valéria Barcellos caracterizados para o espetáculo "Ópera do Malandro – Musical".

Os atores Amaury Lorenzo e Valéria Barcellos caracterizados para o espetáculo "Ópera do Malandro – Musical".

— Divulgação/Priscila Prade

2 de março de 2026

Um dos maiores sucessos do teatro brasileiro voltou aos palcos em uma versão inédita e vibrante: “Ópera do Malandro – Musical”, espetáculo de Chico Buarque, fica em cartaz até 15 de março no Teatro Renault, em São Paulo, com sessões de sexta a domingo.

Sob a direção de Jorge Farjalla e direção musical de Gui Leal, a montagem revisita o clássico quase 50 anos após sua criação, reafirmando sua força política, estética e cultural. A nova leitura mergulha no universo do sincretismo popular e da Umbanda, trazendo para o centro da encenação as entidades do “povo da rua”, referências espirituais e culturais profundamente conectadas à herança afro-brasileira.

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Mais do que uma homenagem à obra original e à icônica “Ópera dos Três Vinténs”, de Brecht, o espetáculo assume com orgulho a brasilidade que nasce das matrizes africanas, da musicalidade negra, da resistência cultural e da potência criativa das periferias.

Ao incorporar a estética, a espiritualidade e o simbolismo das tradições afro-brasileiras, a montagem reconhece a contribuição histórica das pessoas pretas na construção da identidade artística do país, especialmente no teatro musical, na música popular e na cultura popular.

Em cena, um grande elenco conduz essa narrativa potente: José Loreto (Max Overseas Navalha), Carol Costa (Teresinha), Totia Meireles (Vitória Régia), Ernani Moraes (Duran), Amaury Lorenzo (Tigrão/Chaves), Valéria Barcellos (Geni), Andrezza Massei (Lúcia), Ana Luiza Ferreira (Fichinha), Isaac Belfort (Barrabás), Marya Bravo, Mateus Ribeiro, Patrick Amstalden, Larissa Grajauskas, Paulo Viel, Marina Mathey, Hipólyto, Carol Botelho, Giu Mallen, Preta Ferreira (Nêga Saliva/Ensemble), Dai Ribeiro, Dion Seabra e Maurício Xavier, entre outros.

A presença de artistas negros no elenco e a valorização das narrativas inspiradas na cultura afro-brasileira reforçam o compromisso da montagem com representatividade, diversidade e reconhecimento histórico — não apenas como discurso, mas como prática estética e política no palco.

A realização é da Palco 7 Produções, de Marco Griesi, e da Solo Entretenimento, de Daniella Griesi, em parceria com Jorge Farjalla, trio responsável por sucessos como “O Mistério de Irma Vap”, “Brilho Eterno” e “Clara Nunes, A Tal Guerreira”.

Apresentado pelo Ministério da Cultura e Petrobras, “Ópera do Malandro – Musical” reafirma a importância de investir em produções que dialogam com a memória cultural do país e com suas raízes afro-brasileiras.

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  • Felipe Ruffino

    Felipe Ruffino é jornalista, pós-graduado em Assessoria de Imprensa e Gestão da Comunicação, possui a agência Ruffino Assessoria e ativista racial, onde aborda pautas relacionada à comunidade negra em suas redes sociais @ruffinoficial.

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