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Quilombo Tia Eva, em Campo Grande, será o 1º tombado no Brasil com base na Constituição

Reconhecimento da comunidade inaugura livro do tombo criado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para sítios ligados a antigos quilombos
Busto de bronze de Eva Maria de Jesus (Tia Eva) em pedestal, com edifício colonial azul e branco ao fundo sob luz solar.

Busto de bronze de Eva Maria de Jesus (Tia Eva) em pedestal, com edifício colonial azul e branco ao fundo sob luz solar.

— Reprodução/Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul

9 de março de 2026

A Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, conhecida como Quilombo Tia Eva, localizada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, receberá nesta terça-feira (10) o título de primeiro quilombo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A declaração ocorre durante a 112ª Reunião do Conselho Consultivo, no Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro.

O tombamento inaugura o novo Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, criado por meio da Portaria nº 135/2023 do Iphan. A medida atende a previsão do artigo 216, parágrafo 5º, da Constituição Federal de 1988, que estabelece a proteção a sítios detentores de recordações históricas de antigos quilombos.

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O presidente do Iphan, Leandro Grass, afirmou que a declaração representa um gesto de reparação histórica às comunidades quilombolas. “A valorização da cultura de matriz africana tem sido uma prioridade desta gestão. O trabalho conduzido pelo Iphan para o tombamento constitucional dos quilombos é construído com a participação direta das comunidades, que são as verdadeiras protagonistas”, declarou em anúncio ministerial.

Grass acrescentou que o Quilombo Tia Eva inaugura este novo momento e o livro de tombo dedicado aos quilombos, e que muitos outros territórios quilombolas receberão o mesmo reconhecimento.

História e legado

Considerada uma das mais antigas referências quilombolas urbanas do Brasil, a comunidade foi fundada por Eva Maria de Jesus e se consolidou como marco da resistência negra no estado de Mato Grosso do Sul.

Rayssa Almeida Silva, arquiteta, moradora da comunidade e integrante da associação de moradores, atuou diretamente no resgate da história do quilombo junto aos técnicos do Iphan, processo que revelou a ascendência de sua própria família. Ela avalia que o trabalho, ao mesmo tempo, deixa um legado para o futuro e honra os ancestrais que pediam a proteção do território.

“A luta está sendo grande. Primeiramente, estamos buscando realizar o sonho dos mais velhos. A outra luta é despertar o interesse dos mais jovens. Muitas pessoas moram aqui em Campo Grande e não sabem da história. Com esse reconhecimento, ajuda a mostrar o exemplo que Tia Eva foi de não desistir das batalhas da vida”, comentou em nota.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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