A Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, conhecida como Quilombo Tia Eva, localizada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, receberá nesta terça-feira (10) o título de primeiro quilombo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A declaração ocorre durante a 112ª Reunião do Conselho Consultivo, no Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro.
O tombamento inaugura o novo Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, criado por meio da Portaria nº 135/2023 do Iphan. A medida atende a previsão do artigo 216, parágrafo 5º, da Constituição Federal de 1988, que estabelece a proteção a sítios detentores de recordações históricas de antigos quilombos.
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O presidente do Iphan, Leandro Grass, afirmou que a declaração representa um gesto de reparação histórica às comunidades quilombolas. “A valorização da cultura de matriz africana tem sido uma prioridade desta gestão. O trabalho conduzido pelo Iphan para o tombamento constitucional dos quilombos é construído com a participação direta das comunidades, que são as verdadeiras protagonistas”, declarou em anúncio ministerial.
Grass acrescentou que o Quilombo Tia Eva inaugura este novo momento e o livro de tombo dedicado aos quilombos, e que muitos outros territórios quilombolas receberão o mesmo reconhecimento.
História e legado
Considerada uma das mais antigas referências quilombolas urbanas do Brasil, a comunidade foi fundada por Eva Maria de Jesus e se consolidou como marco da resistência negra no estado de Mato Grosso do Sul.
Rayssa Almeida Silva, arquiteta, moradora da comunidade e integrante da associação de moradores, atuou diretamente no resgate da história do quilombo junto aos técnicos do Iphan, processo que revelou a ascendência de sua própria família. Ela avalia que o trabalho, ao mesmo tempo, deixa um legado para o futuro e honra os ancestrais que pediam a proteção do território.
“A luta está sendo grande. Primeiramente, estamos buscando realizar o sonho dos mais velhos. A outra luta é despertar o interesse dos mais jovens. Muitas pessoas moram aqui em Campo Grande e não sabem da história. Com esse reconhecimento, ajuda a mostrar o exemplo que Tia Eva foi de não desistir das batalhas da vida”, comentou em nota.