A apresentadora e criadora de conteúdo Ana Paula Xongani construiu, ao longo de dez anos, uma trajetória marcada por diálogos sobre negritude, educação, beleza e empoderamento feminino. Também empresária do Ateliê Xongani, ela iniciou a produção de conteúdo digital movida pela paixão pela comunicação.
Apesar do interesse pela televisão, Xongani afirma que, no início, não se sentia preparada para ocupar esse espaço. Em entrevista à Alma Preta, contou que investiu na formação acadêmica e profissional, com pós-graduação em Jornalismo e Comunicação, além de curso técnico em apresentação de TV e outras capacitações.
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Segundo a profissional, a experiência na internet contribuiu para o desenvolvimento de habilidades essenciais, mas a transição para a televisão exigiu preparo específico.
“Criadores de conteúdo negros já têm muito trabalho na internet, o que gera autoestima, confiança e qualidade de narrativa e comunicação, mas existe um outro campo, que é a televisão e para isso é preciso estudo e preparo”, afirma.
Por meio da TV Globo, Xongani ingressou em um programa de formação de novos talentos e foi selecionada para uma oficina de apresentadores com profissionais da área.
Em 2025, ela se tornou o primeiro talento nativo digital contratado pela área da TV Globo dedicada ao gerenciamento de talentos e projetos comerciais com criadores de conteúdo.
Ao comentar a conquista, ela destaca a importância de ocupar espaços de grande alcance.
“A Globo está presente em 96% dos lares do país, é a emissora com mais capilaridade no Brasil. Alcançar o povo brasileiro é fundamental, e sabendo que o povo brasileiro é um povo preto, quero chegar o mais longe possível”, diz.
Na emissora, atua como apresentadora e mediadora, dando visibilidade a narrativas plurais e iniciativas voltadas à equidade racial e à inovação. Entre os eventos dos quais já participou estão o Festival LED – Luz na Educação, o Women of the World Festival (WOW Rio), o Festival Negritudes, a Feira Preta e a Virada Cultural.

Nessa fase de expansão e ascensão, Xongani afirma que seu objetivo é se consolidar no entretenimento, área em que ainda percebe a ausência de pessoas negras.
“A gente é a maioria em número, mas ainda não é em representação, principalmente na televisão. O entretenimento é o lugar que eu desejo chegar”, destaca.
Para Ana Paula, ocupar esse espaço permite abordar diferentes temas e áreas, se conectando com um público diverso, além de ampliar as narrativas positivas sobre a população negra.
“É importante ocupar não só o lugar da notícia ou da tristeza. A gente também precisa ocupar o lugar da alegria, do entretenimento, porque precisamos nos reconhecer como pessoas felizes, alegres e potentes.”
Podcast sobre carreira e vivências pessoais
Em seu projeto mais recente, Xongani lançou, em fevereiro, o podcast “Oi, Amiga”, em parceria com a escritora e palestrante Luana Génot. Com três episódios já disponíveis, o programa propõe conversas leves e diretas sobre temas como vida, carreira, desafios e sentimentos.
A proposta é criar um espaço de escuta e troca, abordando questões do cotidiano sobre diferentes perspectivas.
“É muito importante construir essa imagem, onde a gente pode ser cuidada, amada e feliz. A gente deseja com o podcast falar sobre o poder da amizade, sobre assuntos que são extremamente transversais a nós. A gente precisa da luta e do relaxamento. A gente precisa do coletivo, mas também de se entender indivíduo”, explica.
No programa, as apresentadoras também pretendem tratar de assuntos considerados triviais, ampliando o repertório para além das pautas centradas na dor. Xongani ressalta que a iniciativa busca destacar experiências inspiradoras e enriquecedoras.
“Não quero ser a imagem da dor, sofrimento, da tristeza ou do racismo. Quero também mostrar o que me faz potente: a alegria, a família, o encontro, a amizade e a inteligência. São vivências que também me formam e é isso que quero contar para o mundo”, conclui.