A África do Sul foi excluída da reunião do G7 programada para junho na cidade francesa de Evian, após pressão dos Estados Unidos sobre o governo da França. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (26) pela presidência sul-africana.
Vincent Magwenya, porta-voz do presidente Cyril Ramaphosa, afirmou à AFP que a França retirou o convite devido à pressão do governo estadunidense. “Nos disseram que os Estados Unidos ameaçaram boicotar o G7 se a África do Sul fosse convidada”, declarou.
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O presidente francês Emmanuel Macron havia feito o convite pessoalmente a Ramaphosa durante a cúpula do G20 realizada na África do Sul em novembro de 2025.
As tensões entre os dois países se arrastam há meses. Donald Trump impôs tarifas de 30% sobre a maioria das exportações sul-africanas no ano passado, as mais altas para a África Subsaariana, embora a Suprema Corte dos EUA tenha posteriormente anulado a política tarifária do presidente americano.
A relação entre os países deteriorou-se em várias frentes. A África do Sul levou Israel à Corte Internacional de Justiça (CIJ) sob acusação de genocídio em Gaza, posição contrária aos interesses dos EUA, aliados de Israel.
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Trump também criticou publicamente as políticas de justiça racial sul-africanas, criadas para enfrentar desigualdades históricas deixadas pelo apartheid, mas descritas pelo líder americano como discriminatórias contra brancos.
O presidente dos EUA fez declarações desacreditadas sobre um suposto “genocídio branco” na África do Sul e boicotou a cúpula do G20 em Joanesburgo em novembro. Desde entdo dos trabaão, o país foi excluílhos do G20, grupo que este ano tem os EUA na presidência rotativa.
Relação bilateral em xeque
Apesar do episódio, a presidência sul-africana afirmou que a exclusão não afetará as relações com a França.
“Apesar de todos esses acontecimentos, a África do Sul permanece comprometida em se engajar de forma construtiva com os Estados Unidos. A relação diplomática entre EUA e África do Sul antecede a administração Trump e sobreviverá ao atual mandato da Casa Branca”, disse Magwenya.
No início do mês, a África do Sul convocou o novo embaixador dos EUA no país, Brent Bozell, para explicar “comentários pouco diplomáticos” sobre políticas raciais sul-africanas e decisões judiciais.
Em seu primeiro discurso público, o enviado conservador classificou como “discurso de ódio” um cântico da era do apartheid, embora os tribunais sul-africanos tenham decidido que a expressão não constitui discurso de ódio e deve ser considerada no contexto da luta contra o domínio da minoria branca.
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O embaixador pareceu recuar depois, afirmando que o governo dos EUA respeita a independência e as conclusões do Judiciário sul-africano.
A África do Sul ainda não nomeou um substituto para Ebrahim Rasool, seu embaixador em Washington, expulso em março do ano passado após criticar o movimento “Make America Great Again” (MAGA) de Trump.
O porta-voz da presidência sul-africana afirmou que Ramaphosa está “próximo de nomear o embaixador da África do Sul nos EUA, que fará parte da equipe atualmente em negociação com os americanos”.