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Após 40 anos, África do Sul reabre investigação sobre morte de ativistas antiapartheid 

Tribunal revisa assassinato dos "Cradock Four", mortos por esquadrão policial em 1985; famílias acusam governo pós-apartheid de obstruir justiça
Imagem do grupo antiapartheid conhecido como "Cradock Four". Os ativistas foram assassinados pela polícia do regime racista em 1985.

Imagem do grupo antiapartheid conhecido como "Cradock Four". Os ativistas foram assassinados pela polícia do regime racista em 1985.

— Reprodução/The Washington Post

2 de junho de 2025

A Justiça sul-africana reabriu nesta segunda-feira (2) um inquérito sobre o assassinato, em 1985, de quatro ativistas anti-apartheid por um esquadrão da polícia do regime segregacionista. Conhecidos como “Cradock Four“, os professores Fort Calata, Matthew Goniwe, Sicelo Mhlauli e o ferroviário Sparrow Mkonto foram sequestrados e mortos enquanto voltavam de uma reunião política na cidade de Cradock, no sul do país.

O caso permanece sem responsabilização criminal e familiares acusam o Estado de ter bloqueado tentativas anteriores de levar os culpados a julgamento. A nova audiência ocorre na cidade de Guquebera, na província do Cabo Oriental.

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Acusações contra o governo pós-apartheid

O advogado Howard Varney, representante das famílias, afirmou à Justiça que a morte dos ativistas resultou de uma decisão “calculada e premeditada” tomada nos mais altos níveis do aparato de segurança do regime do apartheid. Varney também criticou a inação das autoridades democráticas após a queda do regime racista.

Segundo o advogado, a falta de ação pode ter resultado de uma “combinação tóxica de inércia, indiferença, incapacidade ou incompetência”. Ele também apontou a possibilidade de interferência política para impedir que os processos avançassem.

A Comissão de Verdade e Reconciliação, criada na década de 1990 para investigar crimes políticos do apartheid, negou anistia a seis suspeitos pelo assassinato dos Cradock Four. Ainda assim, nenhum processo criminal foi iniciado nas décadas seguintes.

Última chance de responsabilização

Este é o terceiro inquérito sobre o caso, que se tornou um dos episódios mais emblemáticos da repressão a opositores do apartheid. A reabertura do processo é vista como a última oportunidade para as famílias obterem justiça.

Em abril, diante de reiteradas denúncias de atrasos e omissões em investigações de crimes do período do apartheid, o presidente Cyril Ramaphosa instaurou uma nova comissão judicial. Já em janeiro, 25 famílias de vítimas e sobreviventes, incluindo parentes dos Cradock Four, anunciaram uma ação judicial contra o governo por “grave falha” na condução de investigações e na responsabilização de autores dos crimes.

“Depois de 40 anos, as famílias ainda esperam por justiça e encerramento. Este inquérito é provavelmente a última chance que terão de alcançar um mínimo de reparação”, afirmou Varney. “Elas merecem nada menos que um pleno e abrangente acerto de contas com o passado.”

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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