Canções emblemáticas, memórias e a força da tradição do Ilê Aiyê agora estão eternizadas em livro. São mais de 200 composições e registros da musicalidade, da história e da resistência que ecoam há décadas no som do primeiro bloco afro do Brasil, reunidos na publicação “Cantos de Ancestralidade – Antologia Musical do Ilê Aiyê”.
O lançamento será no dia 7 de abril, na Senzala do Barro Preto, no Curuzu, em Salvador BA), às 14h, durante a cerimônia de encerramento do projeto “Música e Educação”. O evento, gratuito e aberto ao público, contará com apresentação de Val Benvindo e participação de Vovô do Ilê Aiyê e apresentação da Band’Erê.
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Organizado pela jornalista e diretora-executiva do Instituto da Mulher Negra Mãe Hilda Jitolu, Valéria Lima, com pesquisa de Catarina Lima, o livro nasce da memória viva e da força da tradição, reunindo textos e contribuições de diversos autores e autoras, como Maria de Lourdes Siqueira e Tiganá Santana e Arany Santana.
A publicação se consolida como um documento histórico e afetivo que preserva e compartilha esse patrimônio cultural, conectando gerações por meio da música, da palavra e da ancestralidade.
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Para Valéria Lima, além de preservar a memória e a trajetória do Ilê Aiyê, a publicação se apresenta como uma ferramenta concreta para a educação. A obra contribui diretamente para a implementação da Lei Nº 10.639, de 2003, que estabelece a Política Nacional de Educação Étnico-Racial e a educação escolar quilombola, ao oferecer material didático acessível e alinhado à realidade brasileira.
Em um cenário em que muitos educadores ainda apontam a falta de conteúdos como obstáculo para aplicar a lei em sala de aula, o livro se posiciona como um recurso de apoio a essa prática em escolas de todo o país.
“As letras de música do Ilê contam a história do povo negro do Brasil e de África, além de falar de muitas personalidades da história negra brasileira, então, é uma ferramenta de estudo. Além disso, é também uma grande homenagem aos compositores do Ilê que fazem esse trabalho ao longo de mais de 50 anos, cantando a nossa história para que a gente possa, de fato, conhecê-la através da arte, da cultura, da música e da dança”, afirma.
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“Esse livro é extremamente importante, sobretudo quando pensamos na musicalidade do Ilê. Aqui, nós não utilizamos muitos discursos formais; são as músicas, especialmente as músicas-tema, que informam e educam. É por meio da música e da poesia que trabalhamos o resgate da autoestima do povo negro, do homem negro e, principalmente, da mulher negra”, realça o presidente do bloco Ilê Aiyê, Antônio Carlos Vovô.