PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Canções do Ilê Aiyê, 1º bloco afro do Brasil, ganham registros em livro

Obra reúne mais de 200 músicas e será lançada no encerramento do projeto “Música e Educação”
Encontro de Compositores do Ilê reuniu músicos que fazem parte da trajetória da banda.

Encontro de Compositores do Ilê reuniu músicos que fazem parte da trajetória da banda.

— Maiara Cerqueira

4 de abril de 2026

Canções emblemáticas, memórias e a força da tradição do Ilê Aiyê agora estão eternizadas em livro. São mais de 200 composições e registros da musicalidade, da história e da resistência que ecoam há décadas no som do primeiro bloco afro do Brasil, reunidos na publicação “Cantos de Ancestralidade – Antologia Musical do Ilê Aiyê”.

O lançamento será no dia 7 de abril, na Senzala do Barro Preto, no Curuzu, em Salvador BA), às 14h, durante a cerimônia de encerramento do projeto “Música e Educação”. O evento, gratuito e aberto ao público, contará com apresentação de Val Benvindo e participação de Vovô do Ilê Aiyê e apresentação da Band’Erê.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Organizado pela jornalista e diretora-executiva do Instituto da Mulher Negra Mãe Hilda Jitolu, Valéria Lima, com pesquisa de Catarina Lima, o livro nasce da memória viva e da força da tradição, reunindo textos e contribuições de diversos autores e autoras, como Maria de Lourdes Siqueira e Tiganá Santana e Arany Santana.

A publicação se consolida como um documento histórico e afetivo que preserva e compartilha esse patrimônio cultural, conectando gerações por meio da música, da palavra e da ancestralidade.

Leia mais: Livro, disco e documentário celebram 5 décadas do Ilê Aiyê, 1º bloco afro do Brasil

Para Valéria Lima, além de preservar a memória e a trajetória do Ilê Aiyê, a publicação se apresenta como uma ferramenta concreta para a educação. A obra contribui diretamente para a implementação da Lei Nº 10.639, de 2003, que estabelece a Política Nacional de Educação Étnico-Racial e a educação escolar quilombola, ao oferecer material didático acessível e alinhado à realidade brasileira.

Em um cenário em que muitos educadores ainda apontam a falta de conteúdos como obstáculo para aplicar a lei em sala de aula, o livro se posiciona como um recurso de apoio a essa prática em escolas de todo o país.

“As letras de música do Ilê contam a história do povo negro do Brasil e de África, além de falar de muitas personalidades da história negra brasileira, então, é uma ferramenta de estudo. Além disso, é também uma grande homenagem aos compositores do Ilê que fazem esse trabalho ao longo de mais de 50 anos, cantando a nossa história para que a gente possa, de fato, conhecê-la através da arte, da cultura, da música e da dança”, afirma.

Leia mais: Livro homenageia trajetória de Mãe Hilda Jitolu, matriarca do bloco afro Ilê Aiyê

“Esse livro é extremamente importante, sobretudo quando pensamos na musicalidade do Ilê. Aqui, nós não utilizamos muitos discursos formais; são as músicas, especialmente as músicas-tema, que informam e educam. É por meio da música e da poesia que trabalhamos o resgate da autoestima do povo negro, do homem negro e, principalmente, da mulher negra”, realça o presidente do bloco Ilê Aiyê, Antônio Carlos Vovô.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano