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Espaço criado por família negra mistura samba, gastronomia e formação cultural no Rio

Com programação acessível e foco em pertencimento, Espaço Diversidade reúne cultura afro-brasileira, impacto social e experiência no centro da capital fluminense
A família Bandeira criou o Espaço Diversidade no Centro do Rio de Janeiro.

A família Bandeira criou o Espaço Diversidade no Centro do Rio de Janeiro.

— Divulgação

12 de abril de 2026

No coração do Centro do Rio de Janeiro, um imóvel na Rua do Rosário tem se consolidado como ponto de encontro entre arte, memória e cotidiano. Criado por uma família negra, o Espaço Diversidade é um lugar onde a cultura afro-brasileira é vivida na prática, entre rodas de samba, pratos que carregam história e uma programação que mistura formação, lazer e pertencimento.

À frente do projeto está o multiartista e produtor cultural Marcos Bandeira, que cresceu em meio a manifestações como o samba, a capoeira e o jongo. O espaço nasce, segundo ele, não como uma ideia isolada, mas como desdobramento de uma vivência familiar.

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“Isso aqui não nasceu como um projeto pensado no papel. É muito do que a gente já vivia. A gente se organizou muito, reunimos muitas referências ancestrais e abrimos para o público”, resume.

Em pouco mais de um ano de funcionamento, o Espaço Diversidade já reuniu cerca de 5 mil pessoas, entre artistas, trabalhadores da região, estudantes e turistas. Parte do programa Reviver Cultural, o local ocupa um imóvel revitalizado e se diferencia ao criar uma dinâmica que constrói laços com o território.

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A experiência passa também pela cozinha. Um dos destaques do espaço é a chamada culinária afetiva, com pratos que levam nomes de integrantes da família Bandeira e resgatam receitas do dia a dia. À frente está a Cozinha da Vovó Cláudia, que traduz em comida a memória construída em casa.

“A comida tem muito da nossa história. São receitas que vêm da nossa família mesmo, da convivência, do dia a dia. A gente quis trazer isso pra dentro do espaço”, explica Marcos.

O ambiente reforça essa proposta. Cada espaço interno faz referência a símbolos culturais e pontos conhecidos do país, como a Escadaria Selarón, os Arcos da Lapa e o Cristo Redentor, criando uma espécie de percurso visual que conecta diferentes territórios e narrativas.

O local também abriga barbearia social, salas de dança e cinema, área infantil, palco para apresentações e espaços voltados à moda e às artes visuais.

A programação é contínua e diversa, com rodas de samba, aulas de dança, que vão do samba no pé à dança de salão e danças afro, encontros artísticos e atividades formativas fazem parte da rotina. Muitas das ações são gratuitas ou têm valores acessíveis, para conseguir incluir todo tipo de público. 

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Ações de impacto social

Entre os projetos de impacto social está o Clubinho do Sorriso, colônia de férias realizada em janeiro e julho, voltada para crianças e mães solo em situação de vulnerabilidade. A iniciativa inclui oficinas, atividades recreativas e visitas a equipamentos culturais da cidade, ampliando o acesso a experiências que nem sempre chegam a esses públicos.

Durante o Carnaval, o espaço também se transforma em ponto de troca cultural, recebendo turistas de diferentes regiões do Brasil e de outros países, interessados em vivenciar de perto manifestações da cultura afro-brasileira.

A vivência com o Carnaval, inclusive, atravessa a própria trajetória da família Bandeira, que tem na artista Luana Bandeira uma de suas representantes na cena carioca, reforçando a conexão entre o Espaço Diversidade e a cultura popular construída nas ruas e na avenida.

“Pra gente, é importante que as pessoas entendam que isso aqui não é tendência. É o que sempre existiu. A diferença é que agora a gente tem um espaço nosso pra mostrar isso do nosso jeito”, finaliza Marcos.

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