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Benim elege ministro da Fazenda como novo presidente com mais de 94% dos votos

Romuald Wadagni sucede Patrice Talon e promete continuidade após década de crescimento econômico; oposição contesta falta de pluralismo
Romuald Wadagni, presidente do Benim, discursa durante comício de campanha.

Romuald Wadagni, presidente do Benim, discursa durante comício de campanha.

— Olympia de Maismont/AFP

14 de abril de 2026

O ministro da Fazenda do Benim, Romuald Wadagni, venceu a eleição presidencial com mais de 94% dos votos, segundo resultados provisórios divulgados nesta terça-feira (14). 

A Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENA) anunciou o percentual com base em 90% das urnas apuradas. 

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O único adversário, Paul Hounkpe, reconheceu a derrota antes da conclusão da contagem.

Wadagni, de 49 anos, foi escolhido a dedo pelo presidente Patrice Talon para sucedê-lo após dois mandatos de cinco anos. 

O novo presidente ocupou o cargo de ministro da Fazenda por uma década, período em que o país registrou crescimento econômico médio superior a 6% ao ano, redução do déficit fiscal para 3% do PIB e expansão do turismo.

Apesar da vitória expressiva, a oposição contestou as condições do pleito. Astrid Kounouho, ativista do partido Democratas, afirmou não estar satisfeita com o resultado. 

“Contesto as condições sob as quais esta eleição ocorreu, a falta de abertura política e a ausência de pluralismo genuíno”, declarou. “Mas o país é maior que nossas diferenças. Esperamos que ele governe para todos.”

O principal partido de oposição, Democratas, não conseguiu as assinaturas parlamentares necessárias para registrar um candidato. O adversário derrotado, Paul Hounkpe, precisou do aval de vários parlamentares da base governista para obter registro na chapa.

O jornal Le Patriote viu “sinais de um roubo eleitoral”. Uma plataforma de monitoramento eleitoral registrou denúncias de urnas que apareceram cheias antes do início da votação. A CENA informou que a participação foi de quase 60%.

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Desafios pela frente

Wadagni enfrenta desafios significativos. A taxa de pobreza ultrapassa 30% da população, e muitos beninenses não sentiram os benefícios do crescimento econômico. 

A insegurança no norte do país, causada por ataques de grupos jihadistas, principalmente do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), ligado à Al-Qaeda, também preocupa.

O novo presidente não ocupava cargo eletivo antes da eleição. A próxima eleição presidencial ocorrerá apenas em 2033, devido a uma reforma constitucional que estendeu o mandato por sete anos.

Um vendedor de cadeados do bairro Gbegemey, em Cotonou, resumiu a expectativa popular. 

“Se esta eleição ou a chegada de Wadagni puder mudar nossas vidas, ficaremos felizes. Mas, por enquanto, precisamos encontrar uma maneira de alimentar a família”, disse Alimata à AFP.

O analista político Franck Kinninvo afirmou que Wadagni “seguirá na continuidade do que foi feito”. A Corte Constitucional deve anunciar os resultados finais da eleição de domingo até o final da semana. 

A CENA e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) classificaram o pleito como pacífico e tranquilo.


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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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