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Benim realiza eleições parlamentares e locais um mês após tentativa de golpe

Coalizão do presidente Patrice Talon pode ampliar maioria legislativa; principal partido de oposição foi barrado nos pleitos locais e não concorrerá à presidência em abril
Jovens seguram cartazes e bandeiras enquanto marcham durante uma manifestação organizada por jovens em apoio ao Presidente do Benim, Patrice Talon e à preservação da democracia, na Praça Amazonas, em Cotonou, em 13 de dezembro de 2025.

Jovens seguram cartazes e bandeiras enquanto marcham durante uma manifestação organizada por jovens em apoio ao Presidente do Benim, Patrice Talon e à preservação da democracia, na Praça Amazonas, em Cotonou, em 13 de dezembro de 2025.

— Yanick Folly/AFP

12 de janeiro de 2026

O Benim realizou eleições parlamentares e locais no domingo (11), apenas um mês após uma tentativa frustrada de golpe de Estado. Os resultados, previstos para sair nos próximos dias, devem definir o cenário político antes da eleição presidencial de abril. 

O principal partido de oposição, Democratas, foi impedido de participar das eleições locais e também não disputará a presidência por não conseguir o número necessário de assinaturas. A campanha eleitoral transcorreu sem comícios de grande porte, com a maioria dos partidos optando por estratégias de porta em porta.

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O presidente Patrice Talon, de 67 anos, que não pode tentar um terceiro mandato, votou e pediu a todos os eleitores que fizessem “seu dever”. “Hoje é o começo de uma vida melhor”, disse à imprensa local após votar. 

Seu sucessor indicado, o ministro das Finanças, Romuald Wadagni, é o grande favorito para assumir a presidência em abril. Talon presidiu um período de forte crescimento econômico durante sua década no poder, mas críticos o acusam de restringir a oposição política e direitos básicos.

Oposição enfrenta risco de perder todas as cadeiras no parlamento

Os eleitores escolheram os 109 deputados da Assembleia Nacional. A coalizão de três partidos do presidente Talon, que detinha 81 cadeiras no parlamento anterior, espera ampliar sua maioria. 

O partido Democratas, que concorreu apenas às eleições legislativas, corre o risco de perder espaço. Alguns observadores afirmam que a oposição pode perder todas as suas 28 cadeiras, devido a uma exigência eleitoral considerada rigorosa: para concorrer ao parlamento, os partidos precisam reunir assinaturas de 20% dos eleitores registrados em cada um dos 24 distritos eleitorais do país.

O país de 14 milhões de habitantes ainda se recupera da tentativa de golpe de 7 de dezembro, quando militares rebeldes tentaram tomar o poder. O levante foi sufocado pelo exército do Benim com apoio da Nigéria e da França. As ruas da capital econômica, Cotonou, estavam calmas durante a abertura das seções eleitorais. 

O chefe da comissão eleitoral, Sacca Lafia, afirmou no sábado (10) que todas as medidas foram tomadas para garantir uma votação “livre, transparente e segura” e que “nenhuma ambição política pode justificar a violência ou pôr em risco a unidade nacional”.

Contexto de Benim

Localizado na África Ocidental, entre a Nigéria e o Togo, o Benim faz fronteira também com Burkina Faso e Níger e possui cerca de 14,7 milhões de habitantes. O país foi colônia da França até 1960, quando conquistou a independência sob o nome de Daomé, rebatizado como República do Benim em 1975. A região abrigou, a partir do século XVII, o Reino do Daomé, que teve papel central no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. 

A população é composta por cerca de 42 grupos étnicos, com destaque para os Fon, Adja, Yoruba, Bariba e Fulani, concentrados majoritariamente no sul do país, próximo à costa atlântica. 

O francês é a língua oficial, ao lado de dezenas de idiomas locais. Em termos religiosos, o país reúne populações muçulmanas, cristãs (entre elas, católicas e protestantes) e praticantes do vodun, religião de matriz africana originada na região. 

A economia beninense tem como base o comércio com a Nigéria, a exportação de algodão e recursos naturais como calcário e madeira, e integra a União Econômica e Monetária da África Ocidental (UEMOA), com moeda atrelada ao euro.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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