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Uma pessoa encarcerada morre a cada 19 horas em SP, diz relatório

Levantamento aponta média de 500 mortes por ano e destaca a falta de atendimento médico nas unidades
A imagem mostra a cela de uma penitenciária.

A imagem mostra a cela de uma penitenciária.

— Reprodução/Governo de Goiás

23 de abril de 2026

Anualmente, o estado de São Paulo registra uma média de 500 mortes de pessoas encarceradas no sistema penitenciário estadual. É o que aponta o relatório do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), em parceria com outras entidades, divulgado na quarta-feira (22).

O documento, que analisa o período de janeiro de 2015 a março de 2023, indica que o número equivale a uma morte a cada 19 horas. Em todo o intervalo observado, as prisões paulistas registraram 4.189 óbitos. 

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De acordo com o levantamento, a falta de equipes de saúde nas unidades prisionais é um dos principais fatores para o alto índice. Apenas 78 das 180 penitenciárias do estado possuem equipes mínimas de saúde. Na capital, as 11 existentes não contam com equipes regulares. 

O acesso à assistência médica externa aparece como um dos pontos mais críticos. Entre 2024 e 2025, mais de 22 mil atendimentos deixaram de ser realizados por falta de escolta, cerca de um quarto de toda a demanda. Entre os procedimentos, há consultas, cirurgias e casos de urgência. Somente entre janeiro e setembro de 2025, foram quase 17 mil atendimentos cancelados. 

A publicação compila relatos e denúncias de interrupção de tratamentos médicos, ausência de acompanhamento de doenças crônicas e uso generalizado de medicação básica como única forma de atendimento.

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Além da saúde, o relatório destaca como principais violações os problemas relacionados à saúde mental, falta de medicamentos, alimentação inadequada, ausência de itens básicos de higiene e agasalhos. Segundo as entidades, as famílias não têm recebido informações sobre o estado de saúde de seus parentes detidos. 

Foram denunciados casos de presos com suspeita de tuberculose sem atendimento por tempo prolongado e a interrupção de tratamento de doenças infectocontagiosas, como HIV e sífilis. 

O estudo foi elaborado com a parceria da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Conselho da Comunidade da Comarca de São Paulo, do Núcleo Especializado de Situação Carcerária (NEC) da Defensoria Pública e de organizações da sociedade civil. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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