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Maioria dos empresários ligados à ditadura tem origem em famílias escravistas

Podcast da Agência Brasil destaca a relação entre as famílias de apoiadores da ditadura e o comércio de pessoas escravizadas
Militares da ditadura reprimem manifestantes.

Militares da ditadura reprimem manifestantes.

— Reprodução/Arquivo Nacional

28 de abril de 2026

Ao menos dois a cada três empresários registrados pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) como apoiadores da ditadura militar vêm de famílias escravistas. A informação foi divulgada pelo podcast “Perdas e Danos”, da Agência Brasil, na segunda-feira (27). 

O levantamento inédito realizado pelo programa indica que, entre os 62 empresários citados pela CNV e apurados pela reportagem, cerca de 40 têm parentesco com senhores de escravos. 

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Segundo a Agência Brasil, foram contabilizados aqueles cujos antepassados puderam ser checados por meio de certidões de nascimento, atestados de óbito, livros de batismo e outros documentos disponíveis no site de genealogia FamilySearch, mantido pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. 

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O levantamento destaca empresas de relevância nacional, como a família Guinle de Paula Machado, ex-proprietária do Porto de Santos. O militar e último ditador a liderar o regime, João Batista Figueiredo, tinha entre os herdeiros o vice-presidente da Bolsa de Mercadorias de São Paulo. 

A família Bueno Vidigal, aponta a matéria, teve grande influência política e econômica durante a ditadura e esteve presente em várias frentes de apoio ao regime militar, no campo político e em ações de repressão. 

O patriarca, Gastão Vidigal, foi o fundador do Banco Mercantil, que já foi o maior banco privado do país. 

Gastão também foi cofundador da Companhia Brasileira de Materiais Ferroviários S.A (Cobrasma), à época como a principal indústria de base, com foco em produção de trilhos e trens, e uma das principais parceiras da ditadura.

Em 1853, o avô de Gastão, Antônio Pedro Vidigal, aparece em uma publicação do jornal União Liberal em busca de uma pessoa escravizada para comprar. Já sua esposa, Maria Amélia Bueno, descende do capitão-mor da Capitania de São Vicente, Amador Bueno da Ribeira, no século XVII. 

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De acordo com a pesquisa “Escravos Hipotecados”, o avô da mulher ofereceu como garantia uma fazenda de café com 75 pessoas escravizadas. Em 2001, aos 82 anos, Gastão Bueno morreu como um dos homens mais ricos do país.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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