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Exposição celebra Laudelina de Campos, pioneira dos direitos para domésticas

Com abertura em 16 de maio, a mostra reúne acervo sobre a vida e do pensamento de Laudelina e propõe reflexão sobre o trabalho doméstico no país
Laudelina de Campos Mello. Autoria não identificada.

Laudelina de Campos Mello. Autoria não identificada.

— Divulgação/Acervo Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campinas

3 de maio de 2026

Ativista na defesa das trabalhadoras domésticas no país, a trajetória de Laudelina de Campos Mello será retratada na exposição “Dignidade e luta: Laudelina de Campos Mello”, que estreia no IMS Paulista, em São Paulo, no dia 16 de maio.

A mostra evidencia a relevância política de sua atuação na defesa dos direitos e da dignidade no trabalho doméstico, ressaltando ainda seu papel na valorização das trabalhadoras domésticas no Brasil e na luta antirracista. A exposição também propõe uma reflexão sobre o trabalho doméstico no país, a partir das vivências e das histórias de quem exerce essa atividade. 

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Reúne cerca de 160 itens, entre fotografias, matérias de imprensa, vídeos e documentos sobre a vida, o pensamento e a atuação de Laudelina, além de obras de aproximadamente 40 artistas. A curadoria é assinada pela artista e educadora Renata Sampaio e pela historiadora Raquel Barreto, com assistência do museólogo Phelipe Rezende. 

Nascida em Poços de Caldas (MG), em 1904, Laudelina iniciou sua militância ainda jovem, em um contexto em que a população negra enfrentava restrições de acesso a espaços públicos e culturais. 

Pioneira, atuou na defesa da dignidade e dos direitos das trabalhadoras domésticas e fundou, em 1938, a primeira Associação Beneficente das Trabalhadoras Domésticas de Santos. 

Leia mais: Espetáculo ‘Laudelina’ propõe mergulho poético na memória e na luta das trabalhadoras domésticas negras

Pioneira, lutou pela dignidade e na defesa dos direitos das  trabalhadores no trabalho doméstico e  foi responsavel por fundar a primeria Associação Beneficiente das Trabalhadoras Domésticas de Santos, em 1938. 


Em 1961, criou  a Associação das Empregadas Domésticas de Campinas quando se mudou para Campinas, no interior paulista. Ao longo de sua trajetória, também integrou a Frente Negra Brasileira, considerada a maior organização negra do século XX no país.

Em diálogo com as obras, a exposição é dividida em sete núcleos. O primeiro aborda a história social do trabalho doméstico no Brasil, destacando sua origem no sistema escravocrata e suas permanências na sociedade contemporânea. Nesse contexto, são exibidas obras de artistas que também exerceram o trabalho doméstico, como as pintoras Maria Auxiliadora e Madalena dos Santos Reinbolt.

Outro núcleo reúne documentos, fotografias e reportagens que evidenciam a atuação política de Laudelina, com a organização das associações de trabalhadoras domésticas. 

A mostra também aborda sua participação como voluntária na Defesa Passiva Antiaérea e na Organização Feminina Auxiliar de Guerra durante a Segunda Guerra Mundial, com a exibição de uma farda utilizada por ela e de suas condecorações, únicos itens pessoais presentes na exposição. 

Um dos destaques é o núcleo dedicado aos bailes organizados por Laudelina. Ela fundou o Clube 13 de Maio, associação recreativa que promovia festas e criava espaços de lazer para jovens negros, excluídos dos bailes frequentados pela população branca, fortalecendo a resistência e o senso de comunidade. 

A exposição apresenta ainda fotografias, convites e reportagens sobre esses eventos, além de obras de artistas como Rainha Favelada, que cria um vestido de festa em homenagem aos bailes e Mitti Mendonça, que recria uma das fotografias encontradas na pesquisa.

Na abertura, às 11h, haverá um debate com a equipe de curadoria e, às 17h, a performance Lavar a roupa suja da História, da artista Mariana Maia. No domingo (17), às 15h, a banda Ngá, liderada por Allan Abbadia, e a cantora Izzy Gordon se apresentam em show inspirado nos bailes promovidos por Laudelina.

Além da exposição, será lançada uma publicação com fotografias, documentos e imagens das obras exibidas, além de textos da curadoria e artigos de autores como Elisabete Aparecida Pinto, Joel Zito Araújo, Juliana Teixeira e Erica Giesbrecht, ampliando o debate sobre o trabalho doméstico no Brasil.

Leia mais:  Laudelina de Campos Mello: do terror das patroas à heroína nacional

Serviço

Exposição Dignidade e luta: Laudelina de Campos Mello

Abertura: 16 de maio
Visitação: Até 22 de novembro
Endereço: Avenida Paulista, 2424 – São Paulo, SP  – 6o andar | IMS Paulista
Entrada gratuita

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  • Thayná Santana

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