PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Espetáculo ‘Laudelina’ propõe mergulho poético na memória e na luta das trabalhadoras domésticas negras

Solo é inspirado na trajetória de Laudelina de Campos Mello, figura importante na luta pelos direitos trabalhistas no país
A atriz Rafaele Breves em cena do espetáculo "Laudelina".

A atriz Rafaele Breves em cena do espetáculo "Laudelina".

— Divulgação/Juliana Nascimento

19 de julho de 2025

A SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, recebe o espetáculo “Laudelina”, solo poético-documental que costura memória, política e ancestralidade a partir da trajetória de Laudelina de Campos Mello — trabalhadora doméstica, militante e uma das figuras mais emblemáticas da luta por direitos trabalhistas no Brasil.

O espetáculo fica em cartaz até 27 de julho, na Sala Alberto Guzik, com apresentações gratuitas às sextas e sábados, às 20h30, e domingos, às 18h.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Com dramaturgia inédita assinada por Cristiane Sobral e Rafaele Breves e direção de Luiza Loroza, a montagem é protagonizada pela Rafaele, que entrelaça a história de Laudelina com memórias íntimas de sua própria linhagem familiar.

“É um corpo em cena que traz não só a força das lutas passadas, mas também o peso e a beleza do que herdei das mulheres da minha família, que como Laudelina, foram cozinheiras, faxineiras, babás. E com esse solo, eu conto essa história como quem costura um tecido ancestral, ponto por ponto”, afirma Rafaele.

Realizado pela Dupla Companhia, grupo sediado no interior paulista, o projeto reúne uma equipe formada majoritariamente por mulheres negras de diferentes regiões do país, conectando experiências do Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo e Pará.

Para Lucas Gonzaga, diretor artístico da companhia, o espetáculo dá continuidade a uma pesquisa que atravessa diversas montagens do grupo: “Temos como eixo a investigação entre Território, Memória e Identidade. ‘Laudelina’ surge como um gesto de escuta e permanência. Não é uma biografia encenada, mas uma evocação poética das vozes que foram apagadas da história oficial”.

Entre relatos íntimos, registros históricos e imagens de resistência, a peça convida o público a refletir sobre os impactos do trabalho doméstico na vida de milhares de mulheres negras brasileiras, muitas vezes invisibilizadas, exploradas e esquecidas.

“Mulheres negras não deveriam morrer exaustas. Temos direito ao descanso e queremos interromper o ciclo da exaustão, da obediência forçada, da entrega sem retorno. Com esse trabalho, sugerimos a invenção como uma forma de resistência, tramando futuros possíveis e imaginando passados que foram negados. Estamos aqui, contando nossas histórias, para que possamos permanecer vivas na memória de alguém”, afirma Rafaele.

A peça também destaca o esforço coletivo da Dupla Companhia em propor novas narrativas e estéticas para os palcos brasileiros. O grupo, que já encenou montagens como “As Três Marias” (2022), “Ícaros” (2024) e ”Nise em Nós” (2025), mantém seu compromisso com produções que promovem interseções entre arte, educação e memória. “Estamos falando de um teatro que parte do chão da vida real, mas que se permite sonhar — porque, como dizia Fanon, ‘não se pode construir o que não se pode imaginar’”, conclui Gonzaga.

Serviço

Espetáculo “Laudelina”

Temporada: até 27 de julho de 2025, às sextas e aos sábados, às 20h30, e aos domingos, às 18h

Onde: SP Escola de Teatro – Sala Alberto Guzik (R1) – Praça Franklin Roosevelt, 210, Consolação, São Paulo

Ingressos: Gratuitos. Retiradas somente pela internet na Sympla SP Escola de Teatro

Classificação indicativa: 12 anos

Duração: 80 minutos

Capacidade: 60 lugares

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano