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Surto de ebola se espalha em região controlada por milícia na RD Congo

Vírus da cepa Bundibugyo, sem vacina ou tratamento, atingiu a província de Kivu Sul sob administração paralela do grupo armado; surto já soma 139 mortes e 600 casos prováveis
Soldados do grupo armado 23 fornecem segurança às autoridades do movimento no Laboratório Rodolphe Mérieux, Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB), em Goma, em 19 de maio de 2026.

Soldados do grupo armado 23 fornecem segurança às autoridades do movimento no Laboratório Rodolphe Mérieux, Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB), em Goma, em 19 de maio de 2026.

— Jospin Mwisha/AFP

21 de maio de 2026

O atual surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) se espalhou para uma região do leste do país sob controle da milícia M23. O grupo armado, apoiado por Ruanda, confirmou a informação nesta quinta-feira (21). A notícia preocupa as autoridades sanitárias sobre a propagação da doença.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já declarou o surto como emergência internacional. Os esforços para conter a febre hemorrágica altamente contagiosa enfrentam obstáculos devido aos conflitos de décadas na RDC, incluindo a guerra entre o exército congolês e o M23.

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O grupo armado, que tomou vastas extensões de terra no leste rico em minerais com a ajuda de Ruanda, instalou uma administração paralela ao governo congolês nas áreas sob seu controle. O M23 nunca precisou gerenciar a resposta a uma epidemia grave como o ebola.

De acordo com o porta-voz do M23, testes confirmaram um novo caso positivo em Bukavu, capital da província de Kivu Sul. O porta-voz não especificou se a amostra veio da cidade, que caiu sob controle do M23 em fevereiro de 2025, ou das áreas rurais ao redor.

O caso envolveu uma pessoa vinda de Kisangani, cidade importante na província oriental de Tshopo. Nenhuma infecção de ebola do surto atual foi registrada nessa localidade até o momento.

“A pessoa, um compatriota de 28 anos, infelizmente sucumbiu à doença antes da confirmação do diagnóstico”, afirmou o porta-voz. “O enterro ocorreu em estrito cumprimento dos padrões de segurança.”

As autoridades congolesas ainda não comentaram o caso relatado.

Leia mais: O que se sabe sobre o novo surto de ebola na RD Congo

Números do surto

Segundo a OMS, o surto atual na RDC (o 17º a atingir o país de mais de 100 milhões de habitantes) já causou 139 mortes suspeitas em quase 600 casos prováveis.

Muitos casos se concentram no epicentro da epidemia, no nordeste da província de Ituri, em áreas de difícil acesso assoladas por grupos armados. Casos também foram registrados em Kivu Norte e na vizinha Uganda, onde uma pessoa morreu. Até agora, Kivu Sul não registrava ocorrências.

Devido às dificuldades de acesso às áreas atingidas, poucas amostras passaram por testes laboratoriais. Os números se baseiam principalmente em casos suspeitos.

As províncias de Kivu Norte e Kivu Sul estão divididas em duas pelas linhas de frente que separam o exército congolês do M23 e seus aliados ruandeses. O aeroporto de Goma, capital de Kivu Norte, que antes ajudava no envio de ajuda humanitária por via aérea, permanece fechado desde que o M23 tomou a cidade em janeiro de 2025.

Não existe vacina ou tratamento clínico para a cepa Bundibugyo do ebola, responsável pela epidemia atual.

Estados Unidos e Bahrein adotam restrições

Os Estados Unidos anunciaram na segunda-feira (18) a intensificação dos procedimentos de triagem para passageiros aéreos vindos da RDC, Uganda e Sudão do Sul. Um dia depois, o Bahrein impôs uma proibição de um mês a visitantes dos três países.

A seleção de futebol da RDC cancelou um treinamento em Kinshasa para a preparação da Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México, informou um oficial da equipe à AFP.

O surto ocorre em um momento de cortes nos orçamentos de organizações humanitárias, resultado em parte dos cortes na ajuda externa dos Estados Unidos sob o governo do presidente Donald Trump. Em uma de suas primeiras ações ao retornar ao cargo no ano passado, Trump retirou os Estados Unidos da OMS.


Leia mais: EUA vão autorizar entrada da seleção da RD Congo após restrições por ebola

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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