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O que se sabe sobre o novo surto de ebola na RD Congo

Surto já soma 91 mortes, alcançou Uganda e preocupa autoridades pela circulação da variante Bundibugyo, para a qual ainda não há vacina
Uma profissional de saúde, vestindo roupa de proteção descartável e touca cirúrgica, está em um posto de controle onde supervisiona a lavagem das mãos e a verificação da temperatura de todos os visitantes e pacientes que entram no Hospital Kyeshero, como parte das medidas de prevenção do Ebola em Goma, em 18 de maio de 2026.

Uma profissional de saúde, vestindo roupa de proteção descartável e touca cirúrgica, está em um posto de controle onde supervisiona a lavagem das mãos e a verificação da temperatura de todos os visitantes e pacientes que entram no Hospital Kyeshero, como parte das medidas de prevenção do Ebola em Goma, em 18 de maio de 2026.

— Jospin Mwisha/AFP

18 de maio de 2026

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu uma emergência sanitária de importância internacional diante da rápida evolução de uma epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC). As autoridades congolesas declararam o surto na sexta-feira (15).

Até o momento, as autoridades registraram 91 mortes provavelmente relacionadas à nova epidemia. Cerca de 350 casos suspeitos também foram notificados. A maioria das pessoas afetadas têm entre 20 e 39 anos, e mais de 60% são mulheres.

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Poucas amostras puderam ser analisadas em laboratório. Os balanços se baseiam principalmente nos casos suspeitos.

O epicentro da epidemia fica em Ituri, província do nordeste da RDC, na fronteira com Uganda e Sudão do Sul. A região, rica em ouro, registra intensos deslocamentos diários de população ligados à atividade mineradora. Algumas partes da província também sofrem com a violência de grupos armados, o que dificulta o acesso por motivos de segurança.

O vírus já se espalhou além de Ituri e das fronteiras da RDC. A OMS registrou duas mortes em Uganda. Trata-se de pessoas que viajaram a partir da RDC. As autoridades não identificaram um foco epidêmico local no país vizinho.

A agência sanitária da União Africana, CDC da África, considera “alto” o risco de propagação para os países da África Oriental vizinhos da RDC. A OMS ativou no domingo (17) seu segundo nível mais alto de alerta internacional.

Leia mais: Após 45 vítimas, RD Congo declara fim do mais recente surto de ebola no país

Cepa Bundibugyo não tem vacina

A cepa do vírus responsável pelo surto se chama Bundibugyo. Não existe vacina nem tratamento específico para esta variante. As vacinas contra o ebola existentes funcionam apenas contra a cepa Zaire, responsável pelas maiores epidemias registradas.

Antes do surto atual, Bundibugyo provocou duas epidemias, uma delas em Uganda (2007) e a outra na RDC (2012). A taxa de mortalidade ficou entre 30% e 50%.

As medidas para conter a propagação do vírus se baseiam no respeito às medidas de prevenção e na rápida detecção dos casos para limitar os contatos.

Especialistas temem propagação rápida

A epidemia de ebola mais letal na RDC deixou quase 2.300 mortos entre 3.500 doentes entre 2018 e 2020. O episódio anterior à atual epidemia provocou 45 mortes entre setembro e dezembro de 2025, segundo a OMS.

A RDC, país da África Central com mais de 100 milhões de habitantes, acumula grande experiência na gestão do ebola. Esta é a 17ª epidemia registrada no país. No entanto, as particularidades do atual surto preocupam os especialistas.

“É uma epidemia que vai se propagar muito rapidamente, sobretudo porque ocorre em uma província muito populosa”, declarou à AFP o virologista Jean-Jacques Muyembe, codescobridor do ebola em 1976 e diretor do instituto de pesquisa congolês que confirmou o reaparecimento do vírus.

Se todos os casos suspeitos registrados forem confirmados, esta epidemia estará entre as sete maiores já conhecidas. Será a segunda mais grave entre as cepas que não são Zaire, segundo vários especialistas.


Leia mais: ‘Estamos na fase de eliminação’: RD Congo avança no combate à doença que matou milhões na África

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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