O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan falou pela primeira vez desde que teve a entrada negada nos Estados Unidos. Em entrevista ao The New York Times nesta terça-feira (9), ele afirmou que o maior sonho de sua vida profissional se desfez. Artan viajou para apitar a Copa do Mundo de 2026.
“Estou muito, muito decepcionado”, disse Artan, em entrevista por telefone de Istambul, para onde foi enviado após a deportação. “Sou simplesmente um árbitro que tenta viver seu sonho, o maior sonho da minha vida, de vir para a Copa do Mundo.”
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Artan, de 34 anos, foi um dos 52 árbitros selecionados pela Federação Internacional de Futebol (FIFA) para o Mundial na América do Norte. Ele seria o primeiro somali a apitar uma partida de Copa do Mundo. Em 2025, a Confederação Africana de Futebol (CAF) o elegeu o melhor árbitro do ano.
“Eu tinha os documentos certos e tudo. Eu tinha o visto correto”, afirmou. Ele também apresentou documentação da Fifa e fotos de sua carreira de mais de uma década como árbitro profissional. Os agentes de fronteira verificaram materiais online sobre sua trajetória.
A entrevista de imigração durou 11 horas. Depois, agentes o levaram a uma cela separada, onde ele ficou detido por várias horas antes de ser colocado em um voo de volta a Istambul. Artan disse que os oficiais não deram um motivo para a recusa de entrada.
“Acho que eles têm um problema com o meu país”, declarou.
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Artan contou que os agentes de fronteira perguntaram por que ele veio aos Estados Unidos e sobre política na Somália. As perguntas incluíram muitas sobre o grupo militante Al Shabab, que controla partes da Somália e trava uma insurgência contra o governo há anos.
A relação entre Estados Unidos e Somália tem sido tensa nos últimos anos. Em dezembro, o presidente Donald Trump chamou imigrantes somalis de “lixo” em um discurso na Casa Branca e disse que a Somália “nem é um país”. O Pentágono, no entanto, mantém parceria com o governo somali para realizar ataques aéreos contra alvos militantes no país.
Somália defende árbitro e critica falta de solução
O Ministério da Juventude e dos Esportes da Somália divulgou um comunicado nesta terça-feira (9) em seu perfil do Facebook. A pasta defendeu a “integridade” de Omar Artan e manifestou seu “apoio incondicional” ao árbitro.
Apesar das “intensas gestões diplomáticas e das negociações com as autoridades competentes do governo dos Estados Unidos e da Fifa, com o objetivo de chegar a uma resolução imediata”, “lamentavelmente não foi possível alcançar um resultado positivo”, afirmou a instituição.
O ministério afirmou sua “plena confiança em sua integridade, profissionalismo e contribuição contínua para o desenvolvimento do futebol tanto na Somália quanto em escala internacional”.
A FIFA indicou na segunda-feira (8) à agência de notícias AFP que Artan não poderá treinar ou arbitrar durante a Copa após a recusa de entrada.
“A Fifa não está envolvida nos processos de imigração do país anfitrião, incluindo decisões sobre vistos, e foi informada pelas autoridades de que a situação do Sr. Artan não será alterada no momento”, informou a entidade em comunicado.
Uma fonte do comitê de arbitragem da CAF disse à AFP que lamenta por Artan, mas preferiu não comentar o incidente. “A seleção dos árbitros para a Copa do Mundo é totalmente responsabilidade da Fifa”, declarou.
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