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‘Eles têm um problema com meu país’, diz árbitro da Somália barrado pelos EUA

Omar Artan, eleito melhor árbitro da África em 2025, foi detido por 11 horas no aeroporto de Miami e deportado; Somália defende "integridade" do profissional e diz ter feito gestões diplomáticas sem sucesso
O árbitro Somali Omar Abdulkadir Artan levanta cartão amarelo para o atacante gabonês Denis Bouanga durante partida de futebol da Copa Africana de Nações, em 20025.

O árbitro Somali Omar Abdulkadir Artan levanta cartão amarelo para o atacante gabonês Denis Bouanga durante partida de futebol da Copa Africana de Nações, em 20025.

— Khaled Desouki/AFP

9 de junho de 2026

O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan falou pela primeira vez desde que teve a entrada negada nos Estados Unidos. Em entrevista ao The New York Times nesta terça-feira (9), ele afirmou que o maior sonho de sua vida profissional se desfez. Artan viajou para apitar a Copa do Mundo de 2026.

“Estou muito, muito decepcionado”, disse Artan, em entrevista por telefone de Istambul, para onde foi enviado após a deportação. “Sou simplesmente um árbitro que tenta viver seu sonho, o maior sonho da minha vida, de vir para a Copa do Mundo.”

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Artan, de 34 anos, foi um dos 52 árbitros selecionados pela Federação Internacional de Futebol (FIFA)  para o Mundial na América do Norte. Ele seria o primeiro somali a apitar uma partida de Copa do Mundo. Em 2025, a Confederação Africana de Futebol (CAF) o elegeu o melhor árbitro do ano.

“Eu tinha os documentos certos e tudo. Eu tinha o visto correto”, afirmou. Ele também apresentou documentação da Fifa e fotos de sua carreira de mais de uma década como árbitro profissional. Os agentes de fronteira verificaram materiais online sobre sua trajetória.

A entrevista de imigração durou 11 horas. Depois, agentes o levaram a uma cela separada, onde ele ficou detido por várias horas antes de ser colocado em um voo de volta a Istambul. Artan disse que os oficiais não deram um motivo para a recusa de entrada.

“Acho que eles têm um problema com o meu país”, declarou.

Leia mais: EUA suspendem ajuda alimentar à Somália em meio a tensões diplomáticas entre os dois países

Artan contou que os agentes de fronteira perguntaram por que ele veio aos Estados Unidos e sobre política na Somália. As perguntas incluíram muitas sobre o grupo militante Al Shabab, que controla partes da Somália e trava uma insurgência contra o governo há anos.

A relação entre Estados Unidos e Somália tem sido tensa nos últimos anos. Em dezembro, o presidente Donald Trump chamou imigrantes somalis de “lixo” em um discurso na Casa Branca e disse que a Somália “nem é um país”. O Pentágono, no entanto, mantém parceria com o governo somali para realizar ataques aéreos contra alvos militantes no país.

Somália defende árbitro e critica falta de solução

O Ministério da Juventude e dos Esportes da Somália divulgou um comunicado nesta terça-feira (9) em seu perfil do Facebook. A pasta defendeu a “integridade” de Omar Artan e manifestou seu “apoio incondicional” ao árbitro.

Apesar das “intensas gestões diplomáticas e das negociações com as autoridades competentes do governo dos Estados Unidos e da Fifa, com o objetivo de chegar a uma resolução imediata”, “lamentavelmente não foi possível alcançar um resultado positivo”, afirmou a instituição.

O ministério afirmou sua “plena confiança em sua integridade, profissionalismo e contribuição contínua para o desenvolvimento do futebol tanto na Somália quanto em escala internacional”.

A FIFA indicou na segunda-feira (8) à agência de notícias AFP que Artan não poderá treinar ou arbitrar durante a Copa após a recusa de entrada. 

“A Fifa não está envolvida nos processos de imigração do país anfitrião, incluindo decisões sobre vistos, e foi informada pelas autoridades de que a situação do Sr. Artan não será alterada no momento”, informou a entidade em comunicado.

Uma fonte do comitê de arbitragem da CAF disse à AFP que lamenta por Artan, mas preferiu não comentar o incidente. “A seleção dos árbitros para a Copa do Mundo é totalmente responsabilidade da Fifa”, declarou.


Leia mais: EUA barram entrada de árbitro da Somália para Copa do Mundo

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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