Na cidade de Juazeiro (BA), um advogado negro da Educafro denunciou ter sido vítima de agressão policial. Daniel Martins, morador de São Paulo, relata que viajou para participar do 2º Simpósio sobre Questão Racial, na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).
Em entrevista à Alma Preta, o advogado conta que o caso ocorreu no bairro de Santo Antônio, ao sair de uma confraternização a caminho do hotel onde estava hospedado. Ele foi parado por três PMs, já sob a mira de uma arma, quando seguia em direção à avenida para procurar um carro de aplicativo.
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“Os três policiais vieram e me abordaram de uma forma muito desrespeitosa, apontando a arma para mim e mandando eu virar. Eu falei: ‘Por que vocês estão me abordando e qual é a fundada suspeita para isso?’’, afirma.
Martins, que integra a Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), tentou explicar que estava no local a trabalho, mas continuou a receber ordens para colocar a mão na cabeça.
A vítima foi imobilizada quando tentou mostrar os documentos de identificação profissional e pessoal. Os policiais não utilizaram câmeras corporais, relata.
“No que eu ia mostrar minha OAB, eles já vieram para cima com as armas. Eu até tentei filmar com o celular, mas não deu. Depois eles vieram, me imobilizaram e me deram um mata-leão. Fiquei sem ar na hora”.
Depois de ser imobilizado, o advogado ainda foi algemado, revistado e conduzido à delegacia sob a acusação de resistir à abordagem policial. O trajeto, ressalta, foi marcado pelo medo de sofrer mais violência.
“Eu pensei mil coisas, né? Achei que eles iam me levar para algum lugar e me espancar ou, de repente, forjar algo para mim. Graças a Deus, eles me levaram para a delegacia”, desabafa.
Daniel foi liberado após dar seu depoimento. Ele destaca que, além dos incômodos físicos, como inchaço no maxilar e dores no pescoço, o episódio trouxe um sentimento de constrangimento.
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Caso será denunciado à Corregedoria
De acordo com o advogado, além de divulgar uma nota de solidariedade, a Univasf solicitou as imagens das câmeras do local para auxiliar na denúncia que será enviada à Corregedoria. Em resposta, a Educafro enviará um ofício ao comando da polícia.
“Um advogado negro, participante e palestrante de um evento sobre reparação e direitos, equidade racial e combate ao racismo, torna a situação ainda mais grave”, diz trecho do comunicado da universidade.
O Observatório das Políticas Afirmativas Raciais (Opará) também demonstrou indignação com o caso. Em comunicado à imprensa, a entidade pediu a investigação do ocorrido e a responsabilização dos envolvidos.
“Somos vitimados por instituições que ainda hoje se recusam a reconhecer os avanços sociais em direção à equidade racial em todas as esferas. É necessária a responsabilização dos policiais envolvidos, bem como mudanças estruturais reais, com a implementação de formações e protocolos antirracistas dentro da Polícia Militar da Bahia. É inadmissível que situações como essa continuem acontecendo”.
A reportagem tentou contato com o Departamento de Comunicação Social da Polícia Militar da Bahia (PMBA) para questionar o motivo da abordagem e o uso das câmeras corporais pelos PMs, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.
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