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Brasileiros apoiam polícia melhor preparada e menos armas em circulação, revela pesquisa

Estudo do Instituto Sou da Paz revela convergência em torno de soluções mais eficazes para segurança pública e menor adesão a propostas baseadas em violência e armamento
Policiais militares em manifestação no Hospital Federal de Bonsucesso, na zona norte do Rio de Janeiro.

Policiais militares em manifestação no Hospital Federal de Bonsucesso, na zona norte do Rio de Janeiro.

— Tânia Rêgo/Agência Brasil

19 de maio de 2026

A sensação de insegurança tem sido apontada entre as principais preocupações das brasileiras e brasileiros, influenciado comportamentos, opinião e voto. Um novo estudo encomendado pelo Instituto Sou da Paz traz uma leitura mais detalhada dessa realidade e mostra que, embora discursos duros e propostas simplistas e ineficazes repetidas há décadas ainda apareçam com força no debate público e nas redes sociais, essa percepção não é majoritária e nem homogênea.

As descobertas apontam para uma sociedade que rejeita abordagens violentas e simplistas, ampliando o espaço para um debate público mais qualificado e baseado em evidências.

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O estudo revela que, apesar de muito repetida, a frase “bandido bom é bandido morto” não encontra adesão ampla na sociedade, apenas 20% concordam com essa frase. Por outro lado, 73% acreditam que os criminosos devem ser julgados e presos pelos seus crimes. A maior parte da população (55%) acredita que o país precisa aplicar as leis já existentes a todos os criminosos, enquanto apenas uma parcela (39%) acredita na necessidade do aumento das penas.

Outro achado do estudo revela que 77% entendem que armas legalmente compradas também podem ser utilizadas em atos violentos quando são roubadas e vão para o mercado ilegal e 73% afirmam que ter mais armas em circulação gera mais violência. Sobre atuação policial, 82% são favoráveis ao uso de câmeras corporais como tecnologias protetivas e 65% acredita que “é preciso uma polícia melhor e mais preparada”.

Fonte: Instituto Sou da Paz/OMA Pesquisa

A pesquisa foi conduzida pela Oma Pesquisa, especializada na análise de percepções e comportamento, com metodologias rigorosas e abordagem integrada, a pedido do Instituto Sou da Paz. O estudo foi realizado entre novembro e dezembro de 2025, com abrangência nacional, e contou com 1.115 entrevistas presenciais, pessoais e domiciliares.

“Os dados mostram que as frases de efeito antigamente mais famosas na segurança pública já não ressoam mais na população. A sociedade brasileira está cansada de promessas antiquadas e deseja outras formas de pensar esse tema, para além dos radicalismos cristalizados que não têm trazido resultados reais no dia a dia das pessoas. Há uma maioria silenciosa que busca resultados e eficácia, por isso apoia novas ideias sobre a segurança pública”, diz Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz. 

Leia mais: Negros e pobres lideram ranking de medo da violência no Brasil

Como a segurança é percebida pela população brasileira

O medo de sofrer algum tipo de violência fez com que 57% da população mudasse sua rotina. A pesquisa demonstra que 94% dos brasileiros reconhecem algum grau de violência na cidade onde vivem. Porém, quanto mais perto de casa, maior é a sensação de segurança da população: apenas 32% das pessoas se sentem seguras na cidade onde moram, frente a 47% que possuem uma boa percepção de segurança em seus bairros e 59% que se dizem seguros em suas ruas.    

A sensação de insegurança é predominante no Brasil, independente de renda ou idade. No entanto, as mulheres apresentam níveis mais altos de preocupação; 74% delas se sentem inseguras nas cidades. Além disso, 83% das pessoas identificaram a violência contra a mulher presente em suas cidades, o que demonstra que a violência de gênero deve ter papel central nas discussões sobre segurança pública no país.  

Além da questão da insegurança para o público feminino, a pesquisa identificou que os roubos são os crimes mais relatados como frequentes. 91% dos participantes disseram que é algo vivenciado em suas cidades, sendo que 89% disseram que o roubo de celular é um crime frequente. Foi percebido que as pessoas não fazem distinção entre roubo e furto, o impacto maior na população está na sensação de vulnerabilidade que esses crimes causam.    

Tipos de violência na cidade onde mora

Fonte: Instituto Sou da Paz/OMA Pesquisa

Uma estratégia comum entre políticos é apostar no aumento do policiamento ostensivo para tentar sanar a percepção negativa em relação à segurança, porém apenas 32% das pessoas acreditam que aumentar o efetivo policial nas ruas melhora a segurança, já 65% acreditam que é necessário uma polícia mais preparada para mudar o cenário de violência no país. Ademais, 82% defendem o uso de câmeras corporais, entendendo que ela protege tanto a população quanto os bons policiais.  

Os dados sobre a percepção de violência nas cidades permitem dizer que o medo está menos associado a crimes letais isolados e mais à sensação da presença armada, especialmente nos espaços públicos. As armas de fogo também são identificadas como um risco à vida, 60% da população são contrárias a ter acesso a armas de fogo em casa, sendo essa rejeição ainda maior entre mulheres (69%).

“Não podemos encarar a violência apenas como dados estatísticos, ela é um fenômeno que atravessa e interfere no cotidiano das pessoas. O medo sentido por causa desse cenário é legítimo e a pesquisa mostra que a população não aceita mais respostas simplistas e punitivistas para as suas dores, comenta Carolina.

“O Sou da Paz está preparando uma agenda de propostas que dialogam com esse anseio, destacando ações pragmáticas e eficientes para alimentar um debate mais realista e racional para transformar a segurança”, conclui a diretora.

Leia mais: Medo de violência sexual atinge 82% das mulheres, diz pesquisa

Agenda eleitoral

O Instituto Sou da Paz defende que o eleitorado e candidaturas precisam se apoiar em propostas baseadas em evidências, legalidade e justiça. A agenda apresentada pela organização busca orientar esse debate, destacando o papel central dos governos estaduais, responsáveis pelas polícias e pelas políticas de segurança, e também do governo federal, que atua na coordenação, financiamento e fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública.

Para transformar a segurança pública nos próximos anos, o documento aponta cinco prioridades: proteger meninas e mulheres, fortalecer polícias mais preparadas e valorizadas, enfrentar o crime organizado, reduzir roubos e retirar armas ilegais de circulação. Segundo o instituto, o material será lançado nas próximas semanas e entregue a candidaturas.

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