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‘Meu clamor é júri popular’, pede mãe de jovem negro desaparecido após abordagem policial

Caso de Davi Fiúza, que desapareceu durante uma abordagem policial em Salvador em 2014, se arrasta na Justiça há 12 anos
O adolescente negro Davi Fiuza desapareceu em 2014 após ser abordado policiais militares em Salvador, na Bahia.

O adolescente negro Davi Fiúza desapareceu em 2014 após ser abordado policiais militares em Salvador, na Bahia.

— Acervo Pessoal/Rute Fiuza

25 de maio de 2026

O caso Davi Fiúza, jovem negro desaparecido desde 2014 após ser levado por policiais militares no bairro de São Cristóvão, voltou ao centro do debate nesta segunda-feira (25), durante a audiência de instrução do processo que investiga o envolvimento de PMs. A audiência, realizada no Fórum Criminal Desembargador Carlos Souto, em Sussuarana, teve como foco o depoimento de duas testemunhas.

Mãe de Davi, Dona Rute conversou com a imprensa e voltou a cobrar que os acusados sejam levados a júri popular. Emocionada, afirmou que ainda não conhece o significado da palavra justiça.

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“Uma palavra que ainda não conheço é justiça. Para mim, a justiça ainda é uma utopia. Estou lutando por ela”, declarou.

Para ela, o caso representa não apenas uma dor individual, mas também a cobrança coletiva por respostas do Estado diante da violência policial contra jovens negros nas periferias.

“Meu luto é uma luta. Meu clamor é o júri popular”, afirmou Rute Fiúza, coordenadora do Movimento Mães de Maio da Bahia e integrante da Coalizão Negra por Direitos.

Ela também criticou a lentidão do processo. “A morosidade judiciária é para que caia no esquecimento e para que a gente desista, como se mãe desistisse do filho. Eu não vou desistir”, disse.

Rute demonstrou preocupação com o tempo de tramitação, que já chega a 12 anos sem uma definição judicial.

“Espero que esse caso não se prolongue por mais 12 anos. Só peço que não seja arquivado, porque existem provas robustas de todo o fato”, afirmou.

Leia mais: Entre o silêncio e a espera: quase 12 anos sem respostas sobre o desaparecimento de Davi Fiúza

Rute Fiuza, mãe de Davi Fiuza, acompanhada de integrantes da Iniciativa Negra e da Anisitia Internacional em 25 de maio de 2026, data da audiência de instrução em Salvador. (Créditos: Divulgação)

Representantes da Anistia Internacional e da Iniciativa Negra acompanharam a audiência, reforçando o monitoramento nacional e internacional sobre a condução do processo, marcado por sucessivos adiamentos e pela demora judicial que atravessa mais de uma década.

Co-fundador da Iniciativa Negra, Dudu Ribeiro reforçou a expectativa de que o caso seja encaminhado ao júri popular.

“A ida do caso para a Justiça comum já demonstra o reconhecimento de indícios de homicídio. Esperamos que, com a escuta das últimas testemunhas, o juiz pronuncie o caso para júri popular, garantindo não apenas justiça, mas também reafirmando que nenhuma família merece passar pelo que a família de Rute Fiuza enfrenta. O Estado precisa ser responsabilizado e garantir a devida reparação”, pontuou.

O processo entra agora na fase de alegações finais, etapa em que acusação e defesa apresentam suas manifestações antes da decisão do juiz sobre o encaminhamento do caso para julgamento. Nesta terça-feira (26), Rute Fiúza prestará depoimento por escrito.

Leia mais: Brasil volta à mira da Anistia Internacional por violência policial, racismo e repressão a protestos

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