A Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou mais de 900 casos suspeitos de ebola na República Democrática do Congo (RDC). O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, divulgou os números em uma publicação em seu perfil nas redes sociais no domingo (24).
“Com a intensificação dos esforços de vigilância na resposta ao ebola na RDC, mais de 900 casos suspeitos foram identificados até agora, incluindo 101 casos confirmados”, escreveu Tedros. A atualização não apresentou novo balanço de mortes.
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No sábado (23), o Ministério da Saúde da RDC informou 179 mortes em três províncias do país. O número de casos suspeitos chegava a 854 naquele momento.
O epicentro da epidemia fica em Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo, região localizada na fronteira com Uganda e Sudão do Sul. A província concentra atividades de mineração de ouro e registra circulação intensa de trabalhadores e moradores.
A região também enfrenta conflitos armados em parte do território. O cenário dificulta o deslocamento de equipes médicas e amplia obstáculos para ações de monitoramento e assistência.
O vírus já ultrapassou a área inicial de transmissão. A OMS registrou duas mortes em Uganda relacionadas ao atual surto. As vítimas viajaram a partir da RDC. Até o momento, autoridades não identificaram transmissão local sustentada no país vizinho.
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Países da região articulam resposta conjunta
O crescimento do número de casos levou governos africanos a ampliar mecanismos de cooperação regional.
Entre os dias 22 e 23 de maio, ministros da Saúde da República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul participaram de uma reunião em Kampala, capital ugandense, ao lado de representantes do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), OMS, Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e organismos internacionais.
O encontro ocorreu sob o tema “Solidariedade regional, preparação e resposta coordenada” e teve como foco a construção de estratégias conjuntas para impedir a ampliação da epidemia.
No documento final, os governos demonstraram preocupação com a expansão dos casos nas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul. Também apontaram a manutenção das cadeias de transmissão e a circulação transfronteiriça como fatores centrais para a crise sanitária.
Os países anunciaram medidas para reforçar sistemas de vigilância em áreas de fronteira, ampliar mecanismos de alerta rápido e harmonizar protocolos sanitários em postos oficiais e rotas informais de circulação.
As autoridades também decidiram aumentar o acompanhamento de deslocamentos em regiões consideradas de maior risco.
Comunidades locais passam a ocupar papel central
A resposta construída pelos países vai além de medidas sanitárias tradicionais. Os governos destacaram a necessidade de ampliar a proteção a trabalhadores da linha de frente e grupos mais expostos ao risco de transmissão, entre eles comunidades mineradoras, populações deslocadas e moradores de regiões de fronteira.
Outra frente priorizada envolve comunicação comunitária. Lideranças locais, organizações sociais, veículos de imprensa e redes comunitárias devem atuar no enfrentamento a boatos e na ampliação da confiança pública nas ações de saúde.
Experiências anteriores mostraram que a desinformação e a resistência a medidas sanitárias dificultaram respostas a epidemias de Ebola em diferentes países africanos.
Cepa Bundibugyo não tem vacina
A cepa do vírus responsável pelo surto se chama Bundibugyo. Não existe vacina nem tratamento específico para esta variante. As vacinas contra o ebola existentes funcionam apenas contra a cepa Zaire, responsável pelas maiores epidemias registradas.
Antes do surto atual, Bundibugyo provocou duas epidemias no continente africano, uma em Uganda (2007) e outra na RDC (2012). A taxa de mortalidade ficou entre 30% e 50%.
A epidemia de ebola mais letal na RDC deixou quase 2.300 mortos entre 3.500 doentes entre 2018 e 2020. O episódio anterior à atual epidemia provocou 45 mortes entre setembro e dezembro de 2025, segundo a OMS.
O ebola já matou mais de 15 mil pessoas na África nos últimos 50 anos. A doença viral se espalha através do contato direto com fluidos corporais. O vírus pode causar sangramento grave e falência de órgãos.
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