PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

‘A negritude virando Doutor Honoris Causa’: Antônio Pitanga recebe título da UFRJ

Cerimônia lotada por artistas, intelectuais e representantes do movimento negro celebrou trajetória de mais de seis décadas do ator e militante da cultura negra; homenagem ocorreu na mesma semana em que a universidade completa 105 anos
O ator Antônio Pitanga segura com as mãos levantadas o título de Doutor Honoris Causa pela UFRJ.

O ator Antônio Pitanga segura com as mãos levantadas o título de Doutor Honoris Causa pela UFRJ.

— Eneraldo Carneiro/FCC

27 de maio de 2026

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu, na noite de segunda-feira (25), o título de Doutor Honoris Causa ao ator, diretor e militante Antônio Pitanga. A homenagem, aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário, reconheceu uma trajetória que atravessa cinema, televisão, cultura e movimento negro. 

O Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da instituição reuniu artistas, pesquisadores, estudantes, representantes do movimento negro e autoridades. Entre os presentes estavam a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), companheira de Pitanga, além de Camila Pitanga, Rocco Pitanga, Maju Coutinho, Elisa Lucinda, Zezé Motta e Lázaro Ramos.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Também integraram a comissão de honra nomes como Ana Maria Gonçalves, primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL), a professora Helena Theodoro, o professor Muniz Sodré e representantes de diferentes setores da universidade.

A UFRJ destacou a contribuição de Pitanga para a cultura brasileira e para a representação da população negra nas artes. Em sua saudação, a universidade afirmou que o ator ajudou a colocar “o Brasil profundo, negro, periférico e tantas vezes invisibilizado” no centro da produção cultural do país.

Leia mais: Pacto de Promoção da Equidade Racial indica obras audiovisuais para refletir sobre racismo e cultura negra

Discurso de Pitanga une memória, resistência e celebração da negritude

Ao receber o diploma, Pitanga fez um discurso de cerca de meia hora. Ele percorreu lembranças da infância no Pelourinho, homenageou mestres da cultura brasileira, revisitou sua trajetória no Cinema Novo e refletiu sobre a luta histórica da população negra por reconhecimento. 

“Tudo de uma só vez, em um único Pitanga, em um único momento; nesta cena única das nossas vidas, a negritude virando Doutor Honoris Causa de uma casa que foi sempre de brancos”, afirmou o ator.

Pitanga destacou que a honraria ultrapassa sua trajetória individual. “Comigo aqui há uma nação inteira. Este título é mais que uma distinção a Pitanga. É o reconhecimento por tudo que a nossa ancestralidade fez para que tivéssemos um Brasil mais justo”, disse. 

Ele revisitou a infância em Salvador e a influência de sua mãe, Maria da Natividade, neta de pessoas escravizadas. “Ninguém nasce no Pelourinho por acaso”, repetiu diversas vezes. Para ele, o Pelourinho representa não apenas a violência da escravidão, mas um símbolo permanente de resistência.

“Esta casa hoje está se aquilombando”, celebra ator

Em uma das passagens mais simbólicas da noite, Pitanga celebrou a presença negra dentro da universidade. “Esta casa hoje está se aquilombando”, declarou. “O quilombo está aqui. Podemos entrar também, porque esta casa é nossa”, concluiu sob aplausos.

Lázaro Ramos fez uma homenagem ao ator. Ele relembrou a influência de Pitanga sobre diferentes gerações de artistas negros e agradeceu pelos caminhos abertos por ele na cultura brasileira. Ao final do discurso, se ajoelhou e beijou os pés de Pitanga, um gesto que arrancou aplausos da plateia. 

Zezé Motta, amiga de Pitanga há mais de seis décadas, também discursou. Ela destacou a dimensão histórica da trajetória do artista e sua contribuição para a valorização da população negra nas artes brasileiras.

Leia mais: Trajetória de Zezé Motta é homenageada no CineSesc 2026


Texto com informações da Conexão UFRJ.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano