A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu, na noite de segunda-feira (25), o título de Doutor Honoris Causa ao ator, diretor e militante Antônio Pitanga. A homenagem, aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário, reconheceu uma trajetória que atravessa cinema, televisão, cultura e movimento negro.
O Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da instituição reuniu artistas, pesquisadores, estudantes, representantes do movimento negro e autoridades. Entre os presentes estavam a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), companheira de Pitanga, além de Camila Pitanga, Rocco Pitanga, Maju Coutinho, Elisa Lucinda, Zezé Motta e Lázaro Ramos.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Também integraram a comissão de honra nomes como Ana Maria Gonçalves, primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL), a professora Helena Theodoro, o professor Muniz Sodré e representantes de diferentes setores da universidade.
A UFRJ destacou a contribuição de Pitanga para a cultura brasileira e para a representação da população negra nas artes. Em sua saudação, a universidade afirmou que o ator ajudou a colocar “o Brasil profundo, negro, periférico e tantas vezes invisibilizado” no centro da produção cultural do país.
Discurso de Pitanga une memória, resistência e celebração da negritude
Ao receber o diploma, Pitanga fez um discurso de cerca de meia hora. Ele percorreu lembranças da infância no Pelourinho, homenageou mestres da cultura brasileira, revisitou sua trajetória no Cinema Novo e refletiu sobre a luta histórica da população negra por reconhecimento.
“Tudo de uma só vez, em um único Pitanga, em um único momento; nesta cena única das nossas vidas, a negritude virando Doutor Honoris Causa de uma casa que foi sempre de brancos”, afirmou o ator.
Pitanga destacou que a honraria ultrapassa sua trajetória individual. “Comigo aqui há uma nação inteira. Este título é mais que uma distinção a Pitanga. É o reconhecimento por tudo que a nossa ancestralidade fez para que tivéssemos um Brasil mais justo”, disse.
Ele revisitou a infância em Salvador e a influência de sua mãe, Maria da Natividade, neta de pessoas escravizadas. “Ninguém nasce no Pelourinho por acaso”, repetiu diversas vezes. Para ele, o Pelourinho representa não apenas a violência da escravidão, mas um símbolo permanente de resistência.
“Esta casa hoje está se aquilombando”, celebra ator
Em uma das passagens mais simbólicas da noite, Pitanga celebrou a presença negra dentro da universidade. “Esta casa hoje está se aquilombando”, declarou. “O quilombo está aqui. Podemos entrar também, porque esta casa é nossa”, concluiu sob aplausos.
Lázaro Ramos fez uma homenagem ao ator. Ele relembrou a influência de Pitanga sobre diferentes gerações de artistas negros e agradeceu pelos caminhos abertos por ele na cultura brasileira. Ao final do discurso, se ajoelhou e beijou os pés de Pitanga, um gesto que arrancou aplausos da plateia.
Zezé Motta, amiga de Pitanga há mais de seis décadas, também discursou. Ela destacou a dimensão histórica da trajetória do artista e sua contribuição para a valorização da população negra nas artes brasileiras.
Leia mais: Trajetória de Zezé Motta é homenageada no CineSesc 2026
Texto com informações da Conexão UFRJ.