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Cineastas desenvolvem filmes sobre ancestralidade e futuros negros em Sergipe

Filmes revelam diferentes caminhos do cinema negro contemporâneo e contribuem para ampliar narrativas produzidas por mulheres negras no audiovisual
Fotografia do filme "Samba de celebração".

Fotografia do filme "Samba de celebração".

— Divulgação/Hugo Anikulapo

14 de junho de 2026

As cineastas sergipanas Luciana Oliveira e Carolen Meneses estão desenvolvendo novas obras do cinema negro brasileiro a partir de temas como ancestralidade, memória, território e construção de futuros negros. Ao longo de maio, as diretoras participaram de consultorias de roteiro e direção no EGBÉ LAB – Fortalecendo o Cinema Negro Sergipano, aprofundando o desenvolvimento do telefilme “Samba de Celebração” e do longa-metragem afrofuturista “Abya Yala: Raízes do Futuro”.

Realizado pelo Instituto EGBÉ – Cultura e Educação Afro-brasileira, o laboratório reuniu duas profissionais com atuação internacional. A roteirista cubana Xenia Rivery, ex-coordenadora da Cátedra de Roteiro da Escuela Internacional de Cine y Televisión – EICTV, conduziu as consultorias de roteiro.

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Já a cineasta Everlane Moraes, cuja trajetória inclui exibições em festivais como Sundance e Rotterdam, acompanhou os projetos nos processos de direção e construção de linguagem cinematográfica.

A iniciativa integra as ações do Instituto EGBÉ voltadas ao fortalecimento do cinema negro sergipano e à ampliação de oportunidades de formação e desenvolvimento para realizadoras negras.

Dirigido por Luciana Oliveira, Samba de Celebração tem como ponto de partida a tradição da meladinha, celebração realizada após o nascimento de uma criança na comunidade quilombola da Mussuca, em Laranjeiras (SE). A narrativa acompanha Alice, uma mulher grávida que precisa decidir se realizará ou não a festa tradicional de seu quilombo, articulando temas como maternidade, pertencimento, memória e continuidade cultural.

O interesse pelo tema surgiu a partir das vivências da diretora na comunidade e das transformações observadas na tradição ao longo do tempo. A proposta do filme busca registrar memórias e refletir sobre diferentes formas de celebrar o nascimento dentro da comunidade quilombola da Mussuca.

“Foi fundamental esses momentos de consultorias. Tive a oportunidade de voltar com profundidade às questões que permeiam ainda o roteiro, o que ainda precisa ser maturado e o tempo necessário. Tanto para mim quanto para meus roteiristas e produtores executivos deste filme, foi um processo intenso e bonito, de afeto e foco no trabalho”, afirma.

Leia mais: ‘Criadas’: filme sobre colorismo, memória e herança colonial ganha trailer

Já Abya Yala: Raízes do Futuro, dirigido por Carolen Meneses, acompanha uma cidadã abya-yalense do ano 3000 que viaja no tempo para resgatar a semente da única árvore luminosa capaz de regenerar a flora de seu tempo. Ao chegar em 2028, ela precisa convencer uma de suas ancestrais de que o futuro da humanidade depende daquela escolha.

Em desenvolvimento, o projeto utiliza a ficção especulativa para refletir sobre crise climática, território, ancestralidade e futuros negros construídos a partir do Nordeste brasileiro. Durante o EGBÉ LAB, a diretora aprofundou aspectos estruturais do roteiro e o percurso dramático das personagens.

“Durante as consultorias do EGBÉ LAB, avançamos no amadurecimento dos caminhos estruturais do roteiro e direção, mas, principalmente, aprofundamos a reflexão sobre a jornada das personagens. Entrei no processo de forma muito aberta, confiando no trabalho das consultorias e na seriedade dos espaços propostos pelo EGBÉ”, destaca Carolen.

As cineastas Luciana Oliveira e Carolen Meneses. (Créditos: Divulgação)

O processo terá continuidade em agosto, com uma atividade aberta promovida pelo Instituto EGBÉ, na qual as diretoras irão apresentar ao público parte dos aprendizados, reflexões e caminhos desenvolvidos durante o laboratório.

Embora partam de universos distintos, os filmes compartilham o interesse por memória, ancestralidade e transformação social. Ao reunir uma narrativa inspirada em uma tradição quilombola e uma ficção afrofuturista voltada para questões ambientais, os projetos revelam diferentes caminhos do cinema negro contemporâneo e contribuem para ampliar os imaginários e as narrativas produzidas por mulheres negras no audiovisual brasileiro.

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