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Lula entrega 18 títulos de terras em encontro com mulheres quilombolas

Evento com mais de 600 lideranças em Brasília resultou na titulação de territórios, lançamento de diagnóstico climático e criação de ação voltada a lideranças ameaçadas
Presidente Lula durante o III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ, em Brasília.

Presidente Lula durante o III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ, em Brasília.

— João Victor/CONAQ

17 de junho de 2026

O III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ reuniu mais de 600 lideranças de 24 estados brasileiros e delegações de sete países na última semana. O evento celebrou os 30 anos de fundação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e ocorreu na região administrativa do Gama, no Distrito Federal.

O lema do encontro foi “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia: somos o começo, o meio e o começo!”, inspirado na filosofia de Nêgo Bispo.

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“A nossa produção gera vida. Lutamos pela titulação dos nossos territórios porque precisamos proteger nossos corpos e nossa história”, destacou Selma Dealdina Mbaye, coordenadora do Coletivo de Mulheres e articuladora política da CONAQ.

Um dos principais momentos do encontro ocorreu com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da primeira-dama Janja Lula da Silva e de ministras de Estado. Na ocasião, o governo federal oficializou a entrega de 18 títulos de domínio para nove comunidades quilombolas localizadas em seis estados brasileiros.

A medida beneficia cerca de 1.780 famílias em uma área superior a 11,6 mil hectares. Entre os territórios contemplados estão comunidades de Goiás, Tocantins, Santa Catarina, Maranhão, Amapá e Bahia.

Também foram assinados decretos de interesse social para desapropriação dos territórios Graciosa, na Bahia; Tapinoã-Prodígio e Maria Joaquina, no Rio de Janeiro; e Morro do Boi, em Santa Catarina. Segundo a CONAQ, a medida beneficia outras 333 famílias.

Ao discursar no encontro, Lula associou o avanço da regularização fundiária à vontade política do Estado.

“O problema não é dinheiro, é decisão política. A pergunta não é quanto custa fazer; é quanto custa não fazer”, declarou o presidente.

Leia mais: Mulheres quilombolas fortalecem atuação na justiça climática em encontro da Conaq

Lançamento do plano de proteção ‘CAFUNÉ’

As discussões do encontro pautaram o combate ao racismo ambiental. O evento sediou o lançamento do diagnóstico nacional “Vozes Quilombolas: Mulheres em Defesa do Clima”. O documento, construído pelas próprias moradoras dos territórios, sistematiza os impactos da crise ecológica nas comunidades e propõe soluções de preservação baseadas no conhecimento tradicional.

Como resposta ao avanço dos conflitos agrários, a CONAQ lançou o Plano Emergencial para Mulheres Ameaçadas em seus Territórios. A iniciativa incluiu a exibição do documentário institucional “CAFUNÉ”. A jornalista Maju Coutinho participou de uma roda de conversa em homenagem às guardiãs dos biomas nacionais.

O encontro também exibiu uma exposição fotográfica curada pelo Coletivo de Comunicação da CONAQ. A mostra homenageou a ialorixá baiana Mãe Bernadete Pacífico, assassinada em 2023.

Diálogo internacional e balanço do movimento

O encontro recebeu representantes do Quênia e do Senegal pela primeira vez, além de delegações de seis nações da América Latina. A articulação com a diáspora africana consolidou as mulheres quilombolas como figuras centrais na formulação de políticas públicas sobre clima, democracia e direitos humanos.

Maria Rosalina, cofundadora da CONAQ e integrante do Coletivo de Mulheres, avaliou o evento.

“Foi um marco dentre todas as atividades que já fizemos. Podemos dizer que saímos reabastecidas de energia e com alguns sonhos realizados nesses 30 anos de trajetória, missão, busca, lutas, desafios, perdas e conquistas. Finalizamos este encontro com a certeza de que estamos no caminho certo, de que ainda há muito para ser feito e não vamos parar”, concluiu em nota à imprensa.

Leia mais: Documentário expõe riscos das mulheres quilombolas na defesa territorial

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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