Dirigida por Labibe Araújo e com roteiro desenvolvido em parceria com Flávia Vieira, a série audiovisual “Negras Heroínas: A história que a história não conta”, lançada no dia 2 de julho, parte das trajetórias de mulheres negras que contribuíram para a construção da história do Brasil para propor reflexões sobre liberdade, igualdade racial, resistência e protagonismo feminino.
Os episódios serão lançados ao longo de julho, mês que marca importantes reflexões sobre igualdade racial e de gênero, conduzidos pela pesquisadora, historiadora e comunicadora Lívia Teodoro, cuja escuta atenta e afiada orientam diálogos sobre a presença das mulheres negras na história e na sociedade brasileira.
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Em 25 de julho é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e, no Brasil, o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A escolha do período reforça a proposta da série de valorizar trajetórias de mulheres que desafiaram estruturas de poder e fizeram da luta por autonomia, dignidade e direitos uma escolha permanente ao longo da história brasileira, evidenciando experiências de resistência, organização política e produção de conhecimento.
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Os episódios
As conversas abordam temas que seguem mobilizando mulheres negras na atualidade, como relações de trabalho, ocupação de espaços de decisão, tecnologia, cultura, economia e autonomia financeira, conectando ancestralidade, memória e transformação social.
Questões como acesso a direitos, representatividade, produção de conhecimento, permanência em espaços historicamente excludentes e construção de novos futuros atravessam os encontros ao longo da série.
O episódio de estreia, Heroínas Intelectuais, destaca Antonieta de Barros, Carolina Maria de Jesus e Maria Firmina dos Reis, com participação da jornalista, cientista política e ativista Diva Moreira e da atriz, pesquisadora e contadora de histórias Fabiana Brasil.
Em Heroínas Revolucionárias, que vai ao ar em 9 de julho, as trajetórias de Dandara dos Palmares, Luísa Mahin, Maria Felipa de Oliveira e Tereza de Benguela são debatidas pela vereadora de Belo Horizonte Juhlia Santos e pela executiva, futurista e escritora Grazi Mendes.
Já Heroínas Quilombolas, que estreia em 16 de julho, aborda Aqualtune, Mariana Crioula e Zacimba Gaba, em conversa com a liderança quilombola e Mestra dos Saberes Tradicionais Makota Cássia Kidoiale e a liderança quilombola Luciana Matias.
Encerrando a temporada, Heroínas Pioneiras na Cultura, com lançamento em 23 de julho, reúne histórias de Agotimé, Laudelina de Campos Mello e Tia Ciata, com participação da pesquisadora, curadora e realizadora audiovisual Tatiana Carvalho e da comunicadora e articuladora cultural Fatini Forbeck.
Além das entrevistas, os episódios contam com o quadro Raiz e Rumo apresentado pela multiartista Janamô. A seção estabelece conexões entre as heroínas abordadas na série e mulheres que seguem transformando seus territórios e áreas de atuação, ampliando o diálogo entre ancestralidade, memória, presente e futuro.
Labibe Araújo, diretora e roteirista da série, destaca que a proposta do projeto é aproximar essas histórias do presente.
“A gente usa as trajetórias e as lutas dessas heroínas para puxar o gancho para conversas sobre questões atuais. É uma forma de trazer essas histórias para o agora e pensar como elas continuam reverberando nas nossas vidas”, explica.
Para além da recuperação de biografias, a série propõe uma reflexão sobre a liberdade como prática cotidiana e coletiva. Das revoltas lideradas por mulheres negras aos processos de organização comunitária, produção intelectual e preservação cultural, os episódios revelam diferentes formas de enfrentamento às desigualdades e de construção de futuros possíveis
“Pensamos em mulheres que representam essas temáticas e que ocupam lugares importantes na cultura, na política, na produção de conhecimento e nos territórios. São mulheres que admiramos e que ajudam a ampliar essas discussões”, ressalta Araújo.
Sempre é tempo de falar das mulheres negras
O projeto nasce como um desdobramento da série de animação infantojuvenil “Heroínas Negras Brasileiras”, produzida pela Sarasvati e exibida nas TVs públicas brasileiras. Em uma nova linguagem, amplia o debate sobre a presença das mulheres negras na formação social, política, cultural e intelectual do país, contribuindo para a valorização de narrativas historicamente invisibilizadas e promovendo identificação e representatividade para novas gerações.
Para Graziella Luciano, coordenadora geral do projeto, a iniciativa dá continuidade a uma pesquisa que a produtora vem desenvolvendo há anos.
“Quando contar histórias de mulheres negras que lutaram e tiveram trajetórias de resistência em diversas áreas surgiu como um desejo para a Sarasvati, entendemos que estávamos falando de histórias que sofreram apagamentos. Essas vozes existem, mas é preciso ampliá-las e criar novos espaços para que sejam ouvidas”, aponta.
No Brasil, muitas histórias de mulheres negras foram silenciadas, apagadas ou registradas a partir de perspectivas marcadas pelo machismo e pela colonialidade. A série busca evidenciar suas contribuições e legados, ampliando o acesso a essas narrativas e estabelecendo conexões com questões que permanecem atuais.
“Mais do que ouvir essas mulheres, queríamos vê-las. Quando falamos de enfrentamento ao apagamento, também estamos falando da importância de ocupar as telas e tornar visíveis rostos, trajetórias e experiências que ajudaram a construir o país. Ao reunir intelectuais, lideranças quilombolas, artistas, pesquisadoras e mulheres de diferentes gerações e territórios, buscamos construir encontros marcados pela pluralidade e pela conexão entre passado, presente e futuro”, afirma Simone Abreu, coordenadora de produção da série.
Outro aspecto que marca a realização da série é a presença de uma equipe majoritariamente feminina e negra, característica recorrente das produções desenvolvidas pela Sarasvati. A iniciativa integra o conjunto de projetos da produtora voltados para a valorização da memória, da diversidade e da democratização do acesso à cultura por meio do audiovisual.
Acompanhe o lançamento dos episódios da série no YouTube.