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Quase 90 anos após Antonieta de Barros, 2ª deputada negra assume cargo em Santa Catarina

A professora Vanessa da Rosa é a primeira suplente do deputado Padre Pedro Baldissera (PT), que se licencia por um mês
Imagem mostra a depudada Vanessa da Rosa. Ela está na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, no pupito, é uma mulher negra e veste um blazer rosa claro. Ela está com os braços para cima, em comemoração.

Foto: Bruno Collaço

19 de outubro de 2023

A professora Vanessa da Rosa, de 50 anos, assumiu nesta quinta-feira (19) o cargo de deputada estadual na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) pelo Partido dos Trabalhadores.

Como primeira suplente de seu partido, ela ocupará o lugar do deputado Padre Pedro Baldissera (PT), que se licencia por um mês, e ficará na função até 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Nas eleições de 2022, recebeu 16.832 votos.

A Casa não era ocupada por uma mulher negra desde 1934, quando a também professora Antonieta de Barros tomou posse. Na época, ela foi a primeira deputada mulher e negra a ocupar um cargo político não só em Santa Catarina como em todo o Brasil. 

Vanessa da Rosa é professora há 33 anos e atuou da educação básica ao ensino superior. Ela é funcionária pública municipal há 23 anos em Joinville, a cidade mais populosa do estado, e lá atuou como secretária municipal da educação.

É mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), especialista em História da Arte pela Univille e em Educação de Jovens e Adultos pela Universidade de Brasília (UNB).

Atualmente trabalha na Escola Municipal Anna Maria Harger como supervisora do ensino fundamental 2 (6º ao 9º ano) e é pesquisadora de Relações Raciais e Gênero.

Quem foi Antonieta de Barros

Imagem da posse de Antonieta de Barros. Foto Acervo USP

Antonieta de Barros era filha de Catarina Waltrich, lavadeira e ex-escravizada que trabalhava como doméstica para um dos mais importantes clã políticos de Florianópolis, a família Ramos.

Aos 17 anos, ela se tornou aluna da Escola Normal Catarinense e se formou professora. Fundou em 1922 o Curso Antonieta de Barros para alfabetizar pessoas sem condições financeiras — e que dirigiu por 30 anos, até sua morte.

Antonieta foi eleita somente 36 anos após a abolição do regime escravagista e apenas dois do sufrágio feminino — que deu às mulheres direito ao voto facultativo, há 90 anos, em 1932. Num país fortemente preconceituoso quanto à classe, cor e gênero, a parlamentar tinha orgulho de sua história.

Ela foi a autora da Lei 145/48 que instituiu o 15 de outubro como o Dia do Professor em Santa Catarina. A data se tornou feriado escolar somente em 1963.

Em julho deste ano, o presidente Lula sancionou uma lei que incluiu Antonieta de Barros no livro Heróis e Heroínas da Pátria.

  • Camila Rodrigues da Silva

    Jornalista com mestrado em economia e formação em demografia. Editora e repórter, com quase 20 anos de experiência em redações da grande imprensa e de veículos independentes de comunicação. Atuo na cobertura de direitos humanos desde 2012.

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