A Petrobras e o Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) assinaram no dia 30 de junho, em Brasília, uma parceria para oferecer 1.500 bolsas de iniciação científica para jovens negras durante os três anos do Ensino Médio.
A iniciativa, que receberá investimento de cerca de R$ 32 milhões da Petrobras, vai priorizar estudantes pretas e pardas do Ensino Médio regular e em contexto de vulnerabilidade social. O objetivo é estimular a formação nas carreiras de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) e nas pesquisas voltadas ao desenvolvimento da indústria de óleo, gás e energia no Brasil.
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O projeto vai acompanhar os indicadores como frequência, aproveitamento, produtividade e evasão para avaliar o impacto educacional e científico numa agenda de formação de talentos e inclusão no setor de energia.
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A iniciativa se pautou num diagnóstico crítico da formação STEM no país, marcado por baixo desempenho educacional, evasão e reduzida participação em cursos estratégicos para inovação.
As estudantes selecionadas para receber a bolsa auxílio de R$ 550,00 deverão criar currículo lattes, desenvolver artigos e apresentar seus trabalhos anualmente. O CNPq lançará edital paras universidades com linhas de pesquisa que fazem um paralelo com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030, abordando os temas: Como organizar e transformar ideias em Inovação; Como produzir energia de forma mais sustentável; Tecnologias que transformam a indústria de energia; Tecnologias para melhorar a vida das pessoas; Passado, Presente e Futuro e as Transformações do planeta.
O projeto tem o potencial de beneficiar mais de 700 comunidades vizinhas às unidades da Petrobras em 141 municípios em 16 estados.
A ideia é apresentar medidas de enfrentamento dessas desigualdades que se refletem no quadro da empresa. Entre os profissionais de carreira STEM na Petrobras, 87% são homens, sendo que 32,75% se autodeclaram pretos ou pardos. Entre as mulheres, 1,19% são pretas e 3,38 são pardas, totalizando 4,57%.
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Carreira STEM no Brasil
No Brasil, as áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) são consideradas estratégicas para inovação, produtividade e competitividade. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), embora o país tenha avançado no acesso à educação, os resultados de aprendizagem seguem baixos desde a educação básica, comprometendo toda a trajetória posterior de formação técnica, superior e profissional.
A principal conclusão é que o problema não está apenas no volume de matrículas, mas na baixa qualidade do aprendizado, na evasão e na dificuldade de formar talentos em escala compatível com as exigências da transformação digital e da economia do conhecimento.
Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa 2022), que avaliam o aprendizado de estudantes até 15 anos, mostram que entre 81 países, o Brasil ficou na 65ª posição em Matemática e 61ª em Ciências, com 73% dos estudantes abaixo do nível básico em Matemática e 55% abaixo do básico em Ciências.
Menos de 3% dos estudantes brasileiros alcançaram os níveis mais altos em Matemática e menos de 6% em Ciências. No ensino técnico e superior, o cenário segue desfavorável. Entre os graduados, só 15,6% concluem cursos STEM, o que coloca o Brasil na 47ª posição entre 48 países analisados.