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‘Afrobarroco’: livro de Mateus Aleluia propõe reorganização simbólica do Brasil

Obra propõe reflexão pedagógica e reorganização simbólica da maneira como o Brasil compreende sua própria história
O artista Mateus Aleluia.

O artista Mateus Aleluia.

— Divulgação/Tenille Bezerra

11 de julho de 2026

Há lugares que seguem vivos, independentemente do tempo. Nos sons que ecoam na memória, nas histórias transmitidas entre gerações, nos modos de viver que atravessam o tempo sem desaparecer. É desse território de lembranças, encontros e heranças culturais que nasce “Afrobarroco”, novo livro de Mateus Aleluia, uma obra que transforma a experiência do Recôncavo Baiano em reflexão sobre identidade, educação, convivência e formação cultural brasileira.

O lançamento da obra pelo estaco baiano é marcado por edições especiais da palestra musical homônima, em formato desenvolvido por Mateus Aleuia ao longo de 20 anos e que reúne música, narrativa histórica e conversa com o público. A estreia em Salvador ocorreu em 8 de julho e segue em circulação pelo Recôncavo, com lançamentos em Jaguaripe, São Francisco do Conde e Cachoeira.

A tiragem inicial do livro será destinada à distribuição gratuita para escolas, bibliotecas, projetos de arte e educação, centros comunitários e culturais, com venda pontual de alguns exemplares na Livraria Terra Libris (Cine Glauber Rocha – Salvador). 

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“Eu apenas era”. A frase do autor talvez seja uma das formas mais simples de aproximar o leitor do universo que atravessa o livro, que nasce da memória, da escuta e da convivência entre matrizes culturais que formam o Brasil. São os sons da madrugada em Cachoeira, os atabaques atravessando o Vale do Paraguaçu, os sinos das igrejas do Recôncavo e as lembranças de uma Bahia vivida antes da pressa urbana.

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Integrante histórico d’Os Tincoãs e um dos nomes mais singulares da música brasileira, Mateus Aleluia construiu, ao longo de décadas, uma reflexão sobre pertencimento.

“Para a gente voltar a ser o que a gente almeja ser, é necessário descolonizarmos culturalmente a nossa mentalidade, e essa descolonização cultural só poderá ser alcançada através da educação, é imperativo que reestruturemos nossa forma de educar”, reflete.

Afrobarroco traz textos, memórias, provocações e fundamentos do projeto desenvolvido pelo artista desde os anos 2000 através de palestras musicais, encontros pedagógicos e experiências de formação cultural.

O livro traz pensamentos sobre educação, oralidade, religiosidade, convivência cultural e identidade brasileira. Não como nostalgia, mas como tentativa de compreender experiências coletivas que ainda permanecem vivas no cotidiano brasileiro.

Organizada pela cineasta e produtora cultural Tenille Bezerra, a obra propõe um olhar sobre o Brasil a partir da convivência entre diferenças, sem idealizações ou discursos de oposição simplificados. Em vez disso, a publicação aponta para uma ideia de construção coletiva baseada na inclusão e na compreensão da diversidade cultural brasileira como potência formadora.

“Tomar posse de tudo o que somos nos ajuda a caminhar de modo integral, ampliando nosso entendimento na direção do que há de vir”, explica Tenille.

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A publicação também dialoga diretamente com educação e formação cidadã. Inspirado pelas leis 10.639/03 e 11.645/08, que determinam o ensino da história da África e dos povos indígenas nas escolas brasileiras, Mateus propõe o Afrobarroco como ferramenta de reflexão pedagógica e reorganização simbólica da maneira como o Brasil compreende sua própria história.

O projeto gráfico, assinado por Tiago Ribeiro, dialoga com padrões visuais e elementos geométricos presentes nas culturas afro-indígenas e europeias, criando uma identidade visual marcada pela mistura de referências populares, religiosas e contemporâneas.

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