Adotado ainda bebê por um casal argentino, Stephen “Kiki” Ramos, atleta de 17 anos, escreveu um capítulo histórico ao ser convocado para a Seleção Argentina Sub-17 no fim de junho. Esta é a primeira vez que um jogador nascido no Haiti foi chamado para defender a camisa da Albiceleste, apelido da Seleção Argentina de Futebol por conta das cores da sua camisa oficial, que replicam a bandeira nacional.
Kiki Ramos nasceu na capital Porto Príncipe em abril de 2009, e teve a infância marcada por dificuldades. Ainda bebê, viveu os primeiros meses de vida em um orfanato e, após o terremoto que devastou o país em 2010, foi adotado com outras três crianças, mudando-se para Buenos Aires com apenas nove meses de idade.
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O primeiro contato de Kiki com o futebol aconteceu aos seis anos. Um vizinho, torcedor do Vélez Sarsfield, o levou para conhecer o clube de Liniers. Bastaram poucos treinos para que seu talento chamasse a atenção dos treinadores.
Nesta temporada, já marcou 12 vezes atuando pela Sexta Divisão (como é conhecida a categoria sub-17 do Vélez Sarsfield) e desponta como uma das maiores promessas do futebol argentino.
Atacante do Vélez Sarsfield, Kiki chamou a atenção do técnico Diego Placente pela velocidade, habilidade e faro de gol.
Em 25 de junho, Placente o convocou para integrar um ciclo de treinamentos visando a preparação para a Copa do Mundo Sub-17. A competição está prevista para acontecer entre novembro e dezembro de 2026, no Catar.
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Fã de Neymar Jr.
Em entrevista ao Diário Olé, o jovem destacou que Neymar Jr. sempre foi sua grande referência na posição.
Focado nas jogadas de velocidade e nos duelos de um contra um, características que busca aprimorar em seu próprio futebol, Kiki Ramos não hesitou em apontar o craque brasileiro como seu principal ídolo no esporte. “Quem é meu ídolo? Neymar Jr, sempre.”

Argentina na Copa do Mundo
A trajetória da Seleção Argentina tem sido marcada por diversos casos de racismo. Na terça-feira (7), enquanto enfrentava o Egito pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, o influenciador negro e norte-americano Darren Jason Watkins Jr., conhecido como IShowSpeed, denunciou ter sido alvo de racismo pela segunda vez no torneio.
Ainda na mesma partida, o técnico da equipe egípcia, Hossam Hassan, fez o sinal oficial da Federação Internacional de Futebol (FIFA) de cruzar os braços acima da cabeça. O gesto faz parte do protocolo antirracista implementado pela entidade para denunciar ofensas ocorridas durante os jogos.
Caso consiga representar a seleção principal da Argentina, Kiki poderá se tornar um dos primeiros jogadores negros a defender a Albiceleste em uma Copa do Mundo.
Até hoje, apenas três nomes romperam essa barreira: Alejandro De Los Santos, considerado o primeiro jogador negro a vestir a camisa da seleção argentina na década de 1920; José Ramos Delgado, zagueiro que disputou a Copa do Mundo de 1966; e Héctor Baley, goleiro da equipe campeã mundial em 1978. Nenhum deles, porém, foi titular em uma Copa do Mundo.
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