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Demolição do Samba do Cruz encerra espaço histórico da cultura negra em São Paulo

Área ocupada pelo Grêmio Cruz da Esperança será demolida para a construção de parque municipal após disputa judicial com a prefeitura
Samba do Cruz, na comunidade Cruz da Esperança, Zona Norte de São Paulo.

Samba do Cruz, na comunidade Cruz da Esperança, Zona Norte de São Paulo.

— Reprodução/Cruz da Esperança

28 de julho de 2026

O espaço onde acontecia o tradicional Samba do Cruz, na zona norte de São Paulo, será demolido nesta quarta-feira (29). A medida atende a uma decisão da Justiça que autorizou a reintegração de posse da área para a construção do Parque Municipal Campo de Marte, encerrando uma disputa judicial entre o Grêmio Esportivo Recreativo (GRE) Cruz da Esperança e a Prefeitura de São Paulo. 

O local integra a Comunidade Cruz da Esperança, fundada em 1958 no bairro Casa Verde, e é reconhecido como um dos principais espaços da cultura negra paulistana. 

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Além de sediar partidas de futebol de várzea, a área abrigava o Samba do Cruz, encontro que reunia centenas de pessoas aos fins de semana e se consolidou como um espaço de convivência, cultura popular e fortalecimento da identidade negra.

 A comunidade contestou o projeto da prefeitura desde março deste ano. À época, dirigentes afirmaram que o modelo de concessão do futuro parque à iniciativa privada inviabilizaria a continuidade do samba e limitaria o uso dos campos de futebol. 

Leia mais: ‘Eles não querem samba’: dirigente denuncia ameaça ao Cruz da Esperança em SP

Em entrevista à Alma Preta, o dirigente do GRE Cruz da Esperança, Fabio Henrique Januário Faldão, afirmou que a proposta representava o apagamento da história construída pela comunidade. 

Segundo os organizadores, a demolição marca o encerramento de uma luta contra a retirada da comunidade do território. Em publicação nas redes sociais, o perfil do Samba do Cruz afirmou que a mobilização não foi suficiente para impedir a destruição do espaço. 

“Infelizmente, nossa luta não foi suficiente para sensibilizar o prefeito Ricardo Nunes juntamente com a concessionária, que não deu a devida importância à preservação da nossa história, da nossa cultura e da nossa relevância da Cruz da Esperança para a comunidade. A demolição ficou prevista para o dia 29 de julho”, diz a nota. 

A demolição também integra um processo mais amplo de desocupação de clubes de várzea localizados na região. Também em março, a sede do Aliança da Casa Verde foi demolida após reintegração de posse. 

Enquanto quatro associações aceitaram um acordo para deixar temporariamente a área e retornar após a construção do parque, o Cruz da Esperança recusou a proposta por entender que ela inviabilizaria suas atividades culturais e esportivas. 

Para moradores e frequentadores, o fim do Samba do Cruz representa a perda de um espaço construído ao longo de mais de seis décadas por gerações de famílias negras, em um território historicamente conhecido como a “Pequena África” paulistana, devido à forte presença de manifestações culturais afro-brasileiras, como o samba, a capoeira e as religiões de matriz africana. 

Leia mais: ‘Fomos pegos de surpresa’: moradores de periferia de SP denunciam desapropriação de 300 famílias

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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