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Documentário resgata identidade negra da Ponte Preta e resistência no futebol brasileiro

Produção do Peleja investiga como o clube se tornou referência para a comunidade negra de Campinas, no interior paulista e reúne depoimentos e arquivos invisibilizados no esporte
Cena do documentário “Por que esse clube mete tanto medo em racista?”, produzido pelo Peleja.

Cena do documentário “Por que esse clube mete tanto medo em racista?”, produzido pelo Peleja.

— Divulgação/PELEJA

30 de novembro de 2025

O documentário “Por que esse clube mete tanto medo em racista?”, produzido pelo Peleja, canal referência em narrativas autorais sobre futebol, resgata a trajetória da Ponte Preta, clube marcado pela presença e resistência da população negra de Campinas, no interior de São Paulo.

A produção investiga a relação entre Campinas, marcada por histórico de violência da escravização, e a Ponte Preta, clube que desde cedo acolheu trabalhadores negros da ferrovia e se consolidou como espaço de convivência em um período de forte segregação social.

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O documentário reúne registros, depoimentos e memórias que ajudam a reconstruir o contexto local e o impacto do clube para a população negra, contribuindo para trazer à tona aspectos frequentemente ignorados nos registros oficiais do futebol brasileiro.

Além de revisitar a história do time, o filme destaca Miguel do Carmo, apontado como o primeiro jogador negro do futebol brasileiro e figura decisiva na formação do clube.

Em nota à imprensa, Juliano Pupo, roteirista do PELEJA afirma como a obra é significativa por dar visibilidade a uma história pouco registrada e reforça o pioneirismo do clube na afirmação da identidade negra.

“Sempre acompanhei de perto a história da Ponte Preta e como a pauta racial é importante para o clube e seus torcedores. Apesar do seu pioneirismo, também sempre foi muito claro que era uma história que não recebia a atenção que merece, principalmente por ser de um time do interior”, conta.

A produção também ressalta figuras simbólicas da arquibancada, como Dona Ana, torcedora histórica que mantinha uma capela no Estádio Moisés Lucarelli e era reconhecida pelas organizadas como um dos pilares da cultura pontepretana. Sua trajetória reforça a presença das mulheres negras no estádio e o papel da torcida feminina, representada pela mascote Ponteca. 

Com relatos de historiadores, torcedores e personagens que fizeram parte dessa trajetória, a obra inclui representantes de torcidas organizadas e famílias que viveram o cotidiano do bairro no entorno do clube.

Para Murilo Megale, CCO do Peleja,  a produção valoriza essa narrativa e o legado histórico do clube. “A Ponte une passado e presente de maneira muito particular, e esse documentário busca refletir sobre esse legado num momento em que a discussão sobre identidade e raízes ganha ainda mais relevância”, completa.

O documentário já está disponível no canal do Peleja no YouTube e nas redes sociais do veículo.

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  • Thayná Santana

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