O documentário “Por que esse clube mete tanto medo em racista?”, produzido pelo Peleja, canal referência em narrativas autorais sobre futebol, resgata a trajetória da Ponte Preta, clube marcado pela presença e resistência da população negra de Campinas, no interior de São Paulo.
A produção investiga a relação entre Campinas, marcada por histórico de violência da escravização, e a Ponte Preta, clube que desde cedo acolheu trabalhadores negros da ferrovia e se consolidou como espaço de convivência em um período de forte segregação social.
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O documentário reúne registros, depoimentos e memórias que ajudam a reconstruir o contexto local e o impacto do clube para a população negra, contribuindo para trazer à tona aspectos frequentemente ignorados nos registros oficiais do futebol brasileiro.
Além de revisitar a história do time, o filme destaca Miguel do Carmo, apontado como o primeiro jogador negro do futebol brasileiro e figura decisiva na formação do clube.
Em nota à imprensa, Juliano Pupo, roteirista do PELEJA afirma como a obra é significativa por dar visibilidade a uma história pouco registrada e reforça o pioneirismo do clube na afirmação da identidade negra.
“Sempre acompanhei de perto a história da Ponte Preta e como a pauta racial é importante para o clube e seus torcedores. Apesar do seu pioneirismo, também sempre foi muito claro que era uma história que não recebia a atenção que merece, principalmente por ser de um time do interior”, conta.
A produção também ressalta figuras simbólicas da arquibancada, como Dona Ana, torcedora histórica que mantinha uma capela no Estádio Moisés Lucarelli e era reconhecida pelas organizadas como um dos pilares da cultura pontepretana. Sua trajetória reforça a presença das mulheres negras no estádio e o papel da torcida feminina, representada pela mascote Ponteca.
Com relatos de historiadores, torcedores e personagens que fizeram parte dessa trajetória, a obra inclui representantes de torcidas organizadas e famílias que viveram o cotidiano do bairro no entorno do clube.
Para Murilo Megale, CCO do Peleja, a produção valoriza essa narrativa e o legado histórico do clube. “A Ponte une passado e presente de maneira muito particular, e esse documentário busca refletir sobre esse legado num momento em que a discussão sobre identidade e raízes ganha ainda mais relevância”, completa.
O documentário já está disponível no canal do Peleja no YouTube e nas redes sociais do veículo.