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África do Sul ficará de fora das atividades do G20 após veto dos EUA

Governo de Cyril Ramaphosa afirma que não tentará mobilizar boicote ao fórum durante a presidência estadunidense e aguardará a troca de comando
O Ministro das Finanças da África do Sul Enoch Godongwana (D) e o governador do Banco de Reserva da África do Sul, Lesetja Kganyago (E), na conferência de imprensa do G20.

O Ministro das Finanças da África do Sul Enoch Godongwana (D) e o governador do Banco de Reserva da África do Sul, Lesetja Kganyago (E), na conferência de imprensa do G20.

— Rodger Boscher/AFP

4 de dezembro de 2025

A África do Sul declarou nesta quinta-feira (4) que está preparada para não participar do G20 no próximo ano, após os Estados Unidos barrarem o país do grupo. O presidente Donald Trump afirmou em seus perfis em redes sociais no final de novembro que a nação não seria convidada para a cúpula em Miami, posição reiterada pelo secretário de Estado Marco Rubio.

O porta-voz presidencial Vincent Magwenya disse que a África do Sul está preparada para não integrar as reuniões do fórum em 2026 e retomará a participação quando a presidência do G20 passar para o Reino Unido, dentro de um ano. “Faremos uma pausa comercial até que retomemos a programação normal”, declarou.

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O presidente Cyril Ramaphosa disse a jornalistas que o país ainda não recebeu uma notificação formal por escrito sobre a exclusão, e que lidará com o assunto quando isso ocorrer. Ele afirmou que a África do Sul é um “membro pleno do G20” e que sua presidência foi descrita internacionalmente como bem-sucedida.

Ramaphosa também declarou que o país não tentará mobilizar um boicote ao G20 durante a presidência dos EUA em resposta à sua exclusão. “Cada país deve tomar suas próprias decisões”, disse. No entanto, seu porta-voz afirmou em uma entrevista que a África do Sul deseja que outros países “registrem seu descontentamento com os EUA em defesa do multilateralismo e do espírito do G20″.

Contexto de tensões bilaterais

Os Estados Unidos assumiram a presidência rotativa do G20 este mês, após um boicote quase total ao mandato da África do Sul, incluindo a cúpula de novembro em Joanesburgo. Essa cúpula, a primeira do G20 no continente africano, contou com a presença de vários líderes mundiais, mas foi boicotada por Trump.

Marco Rubio descreveu a presidência sul-africana do G20 como um exercício de “agendas radicais” que ignorou as objeções dos EUA. A administração Trump aumentou as críticas à África do Sul por uma série de políticas, expulsou o embaixador sul-africano em março e impôs tarifas comerciais de 30%, que Pretória ainda tenta reverter.

O G20 inclui as maiores economias do mundo, além da União Europeia e da União Africana. O grupo responde por 85% do PIB global e dois terços da população mundial.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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