A África do Sul declarou nesta quinta-feira (4) que está preparada para não participar do G20 no próximo ano, após os Estados Unidos barrarem o país do grupo. O presidente Donald Trump afirmou em seus perfis em redes sociais no final de novembro que a nação não seria convidada para a cúpula em Miami, posição reiterada pelo secretário de Estado Marco Rubio.
The United States did not attend the G20 in South Africa, because the South African Government refuses to acknowledge or address the horrific Human Right Abuses endured by Afrikaners, and other descendants of Dutch, French, and German settlers. To put it more bluntly, they are…
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) November 28, 2025
O porta-voz presidencial Vincent Magwenya disse que a África do Sul está preparada para não integrar as reuniões do fórum em 2026 e retomará a participação quando a presidência do G20 passar para o Reino Unido, dentro de um ano. “Faremos uma pausa comercial até que retomemos a programação normal”, declarou.
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O presidente Cyril Ramaphosa disse a jornalistas que o país ainda não recebeu uma notificação formal por escrito sobre a exclusão, e que lidará com o assunto quando isso ocorrer. Ele afirmou que a África do Sul é um “membro pleno do G20” e que sua presidência foi descrita internacionalmente como bem-sucedida.
Ramaphosa também declarou que o país não tentará mobilizar um boicote ao G20 durante a presidência dos EUA em resposta à sua exclusão. “Cada país deve tomar suas próprias decisões”, disse. No entanto, seu porta-voz afirmou em uma entrevista que a África do Sul deseja que outros países “registrem seu descontentamento com os EUA em defesa do multilateralismo e do espírito do G20″.
Contexto de tensões bilaterais
Os Estados Unidos assumiram a presidência rotativa do G20 este mês, após um boicote quase total ao mandato da África do Sul, incluindo a cúpula de novembro em Joanesburgo. Essa cúpula, a primeira do G20 no continente africano, contou com a presença de vários líderes mundiais, mas foi boicotada por Trump.
Marco Rubio descreveu a presidência sul-africana do G20 como um exercício de “agendas radicais” que ignorou as objeções dos EUA. A administração Trump aumentou as críticas à África do Sul por uma série de políticas, expulsou o embaixador sul-africano em março e impôs tarifas comerciais de 30%, que Pretória ainda tenta reverter.
O G20 inclui as maiores economias do mundo, além da União Europeia e da União Africana. O grupo responde por 85% do PIB global e dois terços da população mundial.