Migrantes da África Ocidental deportados pelos Estados Unidos foram abandonados em Togo, pequena nação da África Ocidental, sem documentos de identidade, segundo advogados e relatos dos próprios deportados. A situação se tornou pública após o presidente de Gana, John Mahama, revelar um acordo com Washington para receber cidadãos expulsos da região.
Entre oito e dez pessoas foram levadas por Gana até a fronteira com Togo, onde foram deixadas sem passaportes. Benjamin, nigeriano que pediu anonimato por temer perseguição, relatou estar em um quarto de hotel com três outros deportados e apenas uma cama, sobrevivendo com remessas enviadas por familiares nos EUA. A informação é da AFP.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Segundo ele, um juiz de imigração nos Estados Unidos havia determinado que ele não poderia ser deportado para a Nigéria devido a riscos de perseguição política. Apesar disso, foi forçado a embarcar em um avião militar para Gana, onde ficou sob custódia.
Prisão e transferência irregular
Benjamin e outro deportado, Emmanuel, liberiano, afirmaram que permaneceram por mais de duas semanas em um campo militar em Bundase, a 70 quilômetros de Acra, capital de Gana, em condições insalubres, antes de serem transferidos. O grupo foi informado de que seria levado a um hotel, mas acabou deixado no posto fronteiriço de Aflao, em Lomé, com apoio de agentes togoleses.
“Estamos escondidos porque não temos documentos, nenhum tipo de identificação”, disse Emmanuel, que recebeu asilo nos EUA na década de 1990, durante a guerra civil da Libéria, e posteriormente obteve o status de residente permanente.
Advogados afirmaram que os primeiros 14 deportados haviam conquistado proteção nos tribunais de imigração dos EUA contra o retorno a seus países de origem por risco de perseguição. Apesar disso, foram enviados para Gana como forma de contornar as decisões judiciais.
Um dos deportados, homem bissexual da Gâmbia, foi imediatamente reenviado pelas autoridades ganesas ao seu país, onde passou a viver escondido devido à criminalização das relações entre pessoas do mesmo sexo. Dois cidadãos togoleses também foram abandonados na fronteira e desapareceram em seguida.
Posicionamento internacional
O escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu a Gana que pare de deportar as pessoas enviadas pelos EUA “para a Nigéria, Gâmbia, Togo, Mali, Libéria ou qualquer outro terceiro país onde haja motivos substanciais para acreditar que estariam em perigo de serem submetidas à tortura”.
O Departamento de Estado dos EUA declarou: “Buscaremos todas as opções apropriadas para remover estrangeiros que não deveriam estar nos Estados Unidos”. A agência ICE (Imigração e Alfândega dos EUA) não respondeu ao pedido de comentário sobre as agressões relatadas.