Como parte do projeto Retratos das Enchentes, o Instituto Decodifica, em parceira com o coletivo Fala Akari, promove no sábado (18) o Fórum Popular em Acari, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Os encontros têm como objetivo apresentar à população os resultados da pesquisa realizada nas comunidades e construir, de forma coletiva, propostas para o enfrentamento das enchentes e para o fortalecimento da incidência política local.
A iniciativa reúne moradores, lideranças comunitárias, organizações de base, pesquisadores, gestores públicos e representantes da sociedade civil em torno de um debate sobre justiça climática, adaptação às mudanças climáticas e racismo ambiental.
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Durante os fóruns, serão apresentados dados produzidos pelos próprios moradores por meio da metodologia de Geração Cidadã de Dados, desenvolvida pelo Instituto Decodifica para ampliar a participação social na formulação de políticas públicas.
Os encontros fazem parte do projeto Retratos das Enchentes, que já ouviu 718 famílias em territórios periféricos do Rio de Janeiro e de Pernambuco. Os dados revelam que enchentes e alagamentos impactam de forma desproporcional populações negras e periféricas, agravando desafios relacionados à moradia, saneamento, saúde e acesso a direitos básicos.
Segundo o estudo, 70,5% dos moradores afirmaram viver em ruas que alagam com frequência. Além disso, 43% das famílias não possuem tratamento de esgoto, 21% vivem sem água encanada e quase metade relata adoecer após períodos de chuva, com sintomas como febre, dor de cabeça e diarreia.
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Racismo ambiental
Para a organização, os eventos climáticos extremos que marcaram o início de 2026 reforçam a urgência de incorporar o conceito de racismo ambiental ao debate público. A expressão se refere à forma desigual como populações negras, periféricas e vulnerabilizadas são mais expostas aos impactos ambientais e menos atendidas por políticas de prevenção e proteção.
Em um contexto de agravamento da crise climática, especialistas apontam que enfrentar as enchentes passa também por enfrentar desigualdades históricas relacionadas ao acesso à infraestrutura, moradia digna, saneamento básico e participação social.
Ao final dos fóruns, as contribuições dos participantes serão sistematizadas em recomendações e materiais de incidência voltados ao território e ao poder público.
A expectativa é fortalecer a construção de soluções territorializadas para adaptação climática, garantindo que as comunidades mais afetadas pelos eventos extremos tenham ação na elaboração das respostas para a crise climática.
“Nós trabalhamos para que moradores e moradoras das periferias possam produzir seus próprios dados, criando autonomia comunitária e fortalecendo lideranças locais. É fundamental que essas populações sejam protagonistas na construção das soluções para os desafios climáticos”, destaca Thiago Nascimento, diretor-executivo do Instituto Decodifica.
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