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EUA suspendem ajuda alimentar à Somália em meio a tensões diplomáticas entre os dois países

Corte ocorre após divergências diplomáticas sobre o reconhecimento da Somalilândia por Israel, ataques militares no país com apoio dos EUA e histórico de cortes de apoio do governo estadunidense aos países do continente africano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assina ordens executivas no Salão Oval da Casa Branca em Washington, DC, em 20 de janeiro de 2025. Entre as ordens executivas está o fim de políticas inclusivas e de diversidade.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assina ordens executivas no Salão Oval da Casa Branca em Washington, DC, em 20 de janeiro de 2025. Entre as ordens executivas está o fim de políticas inclusivas e de diversidade.

— Jim Watson/Pool/AFP

8 de janeiro de 2026

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a suspensão de “todos os programas de assistência em andamento” para o governo da Somália. A medida foi comunicada em uma publicação na rede social X e representa uma resposta a relatos de desvio de ajuda alimentar. 

O subsecretário norte-americano para Assistência Estrangeira, Assuntos Humanitários e Liberdade Religiosa afirmou que os EUA adotam uma política de “tolerância zero” para desperdício ou roubo de recursos.

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A publicação alegou que autoridades somalis “destruíram um depósito do Programa Mundial de Alimentos (PMA) financiado pelos EUA e apreenderam ilegalmente 76 toneladas métricas de ajuda alimentar financiada por doadores para somalis vulneráveis”. 

O Departamento de Estado acrescentou que qualquer ajuda futura estará “condicionada ao governo federal da Somália prestar contas” e remediar o assunto. 

Em resposta, o Governo Federal da Somália emitiu um comunicado para esclarecer o caso. O governo afirmou que “as commodities mencionadas nos relatórios recentes permanecem sob a custódia e controle do Programa Mundial de Alimentos, incluindo a assistência fornecida pelos Estados Unidos”. 

O texto explicou que o depósito do PMA em questão está localizado dentro da área do Porto de Mogadíscio, onde obras de expansão e readequação estão em andamento como parte de atividades mais amplas de desenvolvimento portuário. O governo somali garantiu que “estas operações não afetaram a custódia, gestão ou distribuição da assistência humanitária” e que um comitê interagencial revisa o assunto em coordenação com parceiros humanitários. 

A Somália reafirmou seu “compromisso total com os princípios humanitários, transparência e prestação de contas” e disse valorizar a parceria com os EUA e todos os doadores internacionais.

Contexto de tensões envolve imigração e reconhecimento da Somalilândia

A suspensão da assistência ocorre em um momento de crescentes tensões entre Washington e Mogadíscio. Nas últimas semanas, autoridades norte-americanas criticaram repetidamente a comunidade somali nos EUA, com operações de imigração em Minnesota — estado que foi palco do assassinato de uma cidadã estadunidense por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), na quarta-feira (7) — e alegações de fraude em benefícios públicos no estado, que abriga a maior comunidade somali do país, com cerca de 80 mil membros. 

Em novembro, o presidente Donald Trump encerrou o status de proteção temporária para imigrantes somalis, acusando-os de violência de gangues e sugerindo que fossem “enviados de volta para onde vieram”.

A medida também reflete uma ruptura mais ampla que envolve os aliados dos EUA na região. No mês passado, Israel anunciou o reconhecimento oficial da Somalilândia, um território autodeclarado independente da Somália desde 1991. A posição da Somalilândia no Golfo de Aden, próxima a adversários de Israel no Iêmen, é estratégica. 

O grupo armado islamista Al-Shabaab, que combate o governo somali há cerca de duas décadas, prometeu lutar contra qualquer tentativa de Israel de usar a Somalilândia como base. A Somalilândia tem sua própria moeda, passaporte e exército, mas não apenas Israel reconhece a independência da região.

O reconhecimento de Israel à Somalilândia recebeu apoio dos Estados Unidos, mas foi criticado pela União Africana, Egito, Turquia, o Conselho de Cooperação do Golfo (composto por seis nações) e a Organização para a Cooperação Islâmica, com sede na Arábia Saudita. 

A União Europeia insistiu que a soberania da Somália deve ser respeitada. A Somália, localizada no Chifre da África e assolada por conflitos internos, é com frequência classificada pelas Nações Unidas como um dos países menos desenvolvidos do mundo.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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