O Rwanda Development Board (RDB) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) assinaram um Memorando de Entendimento para estruturar a cooperação em promoção comercial, facilitação de investimentos e missões empresariais. O acordo foi firmado durante o Fórum de Cooperação Econômica Ruanda–Brasil, realizado em Kigali, nesta quarta-feira (4).
Um segundo memorando foi assinado entre a ApexBrasil e a Federação do Setor Privado de Ruanda (PSF), com o objetivo de fortalecer a colaboração institucional. O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, declarou que Ruanda oferece um dos melhores pontos de entrada para empresas brasileiras na África e anunciou que o país sediará o escritório da agência para a África Oriental e Central.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
This morning, at the Rwanda-Brazil Economic Cooperation Forum in Kigali, RDB CEO @afrika_jean and Jorge Viana, President of the Brazilian Export Promotion Agency (APEX-Brazil), signed a Memorandum of Understanding (MoU) which establishes a structured framework for cooperation in… pic.twitter.com/gtYi7H5BJ8
— Rwanda Development Board (@RDBrwanda) February 4, 2026
A expansão da parceria econômica ocorre em um momento em que Ruanda enfrenta acusações internacionais sobre seu envolvimento no conflito na República Democrática do Congo. O governo congolês e relatores da ONU acusam Kigali de apoiar militarmente o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23).
Em dezembro de 2025, a RDC acusou Ruanda de matar mais de 1.500 civis no leste do país. A primeira-ministra congolesa, Judith Suminwa Tuluka, afirmou que mais de 7 mil pessoas morreram na região desde janeiro do ano passado. Depois de dezembro, o número atualizado de mortos não foi divulgado pelo governo até o momento..
Um relatório da ONU, ao qual a Alma Preta teve acesso, indica que Ruanda e o M23 planejam a criação de um Estado autônomo no leste congolês.
Ruanda reconhece oficialmente vínculos com grupo rebelde em documento diplomático
Em uma declaração formal ao Congresso dos Estados Unidos em janeiro de 2026, a embaixadora de Ruanda, Mathilde Mukantabana, admitiu que seu país mantém uma “coordenação de segurança com a AFC/M23”. O reconhecimento contradiz a narrativa de Ruanda, pois o país costuma negar publicamente seu apoio ao M23.
A justificativa apresentada no documento é histórica e de segurança nacional. A embaixadora afirmou que a ação tem como objetivo combater as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), um grupo formado por autores do genocídio de 1994 que atua a partir do Congo. Segundo ela, essa ameaça justifica medidas defensivas.
No entanto, o documento estabelece condições para esse apoio. A embaixadora vinculou a “coordenação de segurança” ao cumprimento do “Acordo de Washington”, um plano de paz de 2025. Ela afirmou que a medida é temporária e cessaria com o desarmamento das FDLR, em um processo que deveria ser verificado por monitores independentes.
Esta admissão diplomática contrasta com relatórios da ONU e acusações do governo congolês, que vão além da mera coordenação. Kinshasa e investigadores internacionais acusam Ruanda de comandar operações militares e enviar tropas para lutar ao lado do M23, algo que a declaração da embaixadora não confirma, mas tampouco nega categoricamente na sua nova formulação.
Conflito no leste da RD Congo aprofunda crise humanitária histórica
Dados do governo congolês apontam que mais de 7 mil pessoas morreram na região desde o início de 2025 com a guerra. Este número inclui cerca de 2.500 corpos enterrados sem identificação e outros 1.500 que permanecem em necrotérios.
A crise humanitária também se manifesta no colapso de serviços essenciais. Um estudo do Comitê Internacional da Cruz Vermelha divulgado em fevereiro de 2026 constatou que mais de 200 unidades de saúde no leste do país estão sem medicamentos devido aos combates e ao bloqueio de rotas de abastecimento.
Milhões de pessoas foram deslocadas internamente, agravando a pressão sobre acampamentos superlotados e aumentando os riscos de fome e surtos de doenças. A infraestrutura, como estradas e pontes, foram danificadas ou destruídas, isolando comunidades inteiras.