O presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, destacou nesta quarta-feira (4) o avanço na imunização contra a cólera no país, que já alcançou mais de 7 milhões de pessoas desde 2017.
O anúncio foi feito durante reunião virtual com chefes de Estado e de governo africanos, organizada pelo presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, em colaboração com o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África).
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Tshisekedi apontou a vacinação em larga escala como o principal instrumento na luta contra a cólera, que continua a afetar diversos países africanos. Para o presidente, a imunização sistemática reforça a capacidade do país em conter surtos recorrentes e reduzir a letalidade da doença.
Mobilização internacional e apelo por financiamento
O presidente da Zâmbia convidou os países participantes — entre eles Maláui, Moçambique, Tanzânia, Quênia, Etiópia, Nigéria e Somália — a fortalecerem a coordenação regional no enfrentamento à cólera e a investirem em um financiamento sólido e contínuo. Entre as prioridades, destacou a necessidade de ampliar a produção local de vacinas e melhorar o acesso das populações vulneráveis à imunização.
Félix Tshisekedi reforçou o compromisso da RDC com a vacinação e ressaltou que a experiência congolense demonstra a importância de campanhas preventivas para evitar crises sanitárias de maior escala.
Epidemia atual de cólera impõe novos desafios
Apesar dos avanços com a vacinação, o ministro da Saúde da RDC, Samuel Roger Kamba, declarou oficialmente, no dia 8 de maio, a existência de uma nova epidemia de cólera em seis províncias: Haut-Katanga, Tanganyika, Sud-Kivu, Nord-Kivu, Tshopo e Kongo Central.
Desde o início de 2025, foram notificados mais de 18.385 casos e 364 mortes, com taxa de letalidade de 2%, superior ao limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). As autoridades de saúde atribuem o aumento dos casos a fatores como inundações provocadas por chuvas intensas, deslocamentos populacionais forçados pela violência armada e circulação transfronteiriça, especialmente com Zâmbia e Angola.
Governo reforça apelo por medidas preventivas
Diante da nova epidemia, o governo congolês intensificou campanhas de conscientização sobre a importância das medidas de higiene, como o uso regular de água potável, lavagem frequente das mãos e preparo adequado dos alimentos.
O ministro da Saúde destacou que o controle efetivo da cólera depende da conjugação de esforços em vacinação, vigilância epidemiológica e melhoria das condições sanitárias, especialmente nas regiões mais afetadas pela violência e pelo deslocamento forçado de populações.