O presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, anunciou o fim dos processos de negociações de paz em Doha, Catar, com o M23, grupo rebelde apoiado por Ruanda. O pronunciamento ocorreu no dia 7 de novembro, sexta-feira, durante a COP30, a conferência da ONU para debater as mudanças climáticas.
“Eu estou feliz de avisar a vocês que vamos anunciar em breve o processo de paz de Doha e Washington”, afirmou.
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Desde o dia 21 de julho estão definidos os princípios de um acordo de paz entre o governo da RDC e o grupo rebelde M23 sobre o conflito que ocorre na parte leste da RDC. Apoiados por Ruanda, o M23 mantém ocupadas as cidades de Goma e Bukavu, as capitais do Norte e Sul Kivu, desde o início do ano.
Durante o diálogo, Tshisekedi ainda avisou que receberá nos próximos dias um convite do governo dos EUA para assinar o acordo de paz com o grupo rebelde. No dia 27 de Junho, a diplomacia da RDC e de Ruanda assinaram um acordo de paz na Casa Branca e desde então existe a expectativa de um encontro em Washington entre os presidentes da RDC e de Ruanda, Paul Kagame.
Félix Tshisekedi participou de um encontro com a diáspora congolesa no Brasil, uma reunião que durou aproximadamente trinta minutos. O auditório tinha a presença de aproximadamente 100 pessoas.
Integrante do coletivo A Voz do Congo, Prosper Dinganga participou do encontro. Ele e mais outros nove membros do grupo viajaram de São Paulo para Belém para acompanhar a agenda do presidente Tshisekedi.
“Tshisekedi falou sobre a abertura de uma câmara de comércio entre o Brasil e a RD Congo e o desejo de fazer uma visita oficial para o Brasil. Ele quer estreitar as relações por entender que o Brasil é um país irmão de muitos anos”, afirmou Dinganga.
Durante a agenda, os participantes do coletivo A Voz do Congo entregaram uma carta para o presidente da RDC. Entre os pedidos, estava o do mandatário organizar uma visita oficial ao Brasil para se reunir com Lula.

Lançamento do TFFF é um ponto de interesse para a RD Congo
O presidente da RDC veio para o Brasil para o encontro da Cúpula de Líderes, entre os dias 6 e 7 de novembro, que aconteceu antes do início oficial da COP30, que ocorre entre 10 e 21 de novembro. O país africano tem interesse no Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, sigla em inglês).
“Dez anos após o Acordo de Paris, é a hora da ação. Precisamos agir rapidamente e honrar os compromissos assumidos”, disse o presidente congolês.
O Fundo, articulado pelo Brasil desde a COP28 em Dubai, prevê a arrecadação de recursos para a proteção das florestas tropicais no mundo, o que inclui a Amazônia e a Bacia do Congo, as duas maiores do mundo.
O recurso será distribuído entre os países membros de acordo com indicadores apresentados de proteção ambiental e 20% de todo montante deve ser destinado para os grupos locais, como povos indígenas e comunidades tradicionais.
Antes do início oficial da COP, o Fundo liderado pelo Brasil já havia arrecadado US$ 5 bilhões, com aportes financeiros da Noruega, França, Indonésia, para além de um aporte inicial de US$ 1 bilhão do governo brasileiro.