O PSG, campeão da Champions League pela primeira vez no dia 31 de junho, é patrocinado pela campanha “Visite Ruanda”, propaganda utilizada pelo regime de Kigali para limpar a imagem do país.
Ruanda, de acordo com relatórios da ONU, dá suporte para o grupo armado M23 e tem tropas na parte leste da República Democrática do Congo (RDC). Desde 27 de janeiro, ao menos 7 mil pessoas foram mortas.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
O PSG renovou no dia 16 de abril a extensão do contrato até 2028, feito comemorado pelo CEO do clube, Victoriano Melero. “Juntos, nós ajudamos a mostrar a riqueza cultural e a beleza natural de Ruanda, enquanto demonstramos que o futebol pode inspirar e aproximar comunidades de todo o mundo para mais perto”, afirmou.
A parceria também foi celebrada por Jean-Guy Afrika, CEO do Banco de Desenvolvimento de Ruanda. “Essa parceria contribuiu significativamente para posicionar Ruanda como um líder para o turismo e o investimento”.
As estimativas são de que os valores, por expor a campanha nas mangas do PSG entre 2019 e 2025, girava entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões por ano, ou seja, entre R$ 45 milhões e R$ 56 milhões, na cotação atual.
A renovação, contudo, ocorreu apesar de uma campanha contrária de torcedores do PSG. Uma petição, com a assinatura de 75 mil pessoas, pedia a ruptura do contrato e um posicionamento público do clube em defesa dos direitos humanos como uma forma de condenar os ataques do M23 e do exército de Ruanda na parte leste da RDC.
“Acreditamos firmemente que o PSG, por meio de sua influência e poder de mobilização, pode desempenhar um papel crucial no apoio aos direitos humanos e contribuir para a conscientização sobre crises humanitárias. Pedimos que você faça uma escolha corajosa e ética que reflita seus valores fundamentais e proteja a dignidade das populações vítimas de violência”, diz a petição.
Outros gigantes europeus também recebem dinheiro da campanha
Outros clubes de expressão no futebol europeu como Arsenal (Inglaterra), Bayer de Munique (Alemanha) e Atlético de Madrid (Espanha) também recebem patrocínio do governo de Ruanda para divulgarem a campanha “Visite Ruanda”.
Em partida válida pela Champions League entre PSG e Arsenal, torcedores dos dois times fizeram um protesto em conjunto, com a mensagem “Largue Visit Rwanda”. Os fãs das duas equipes apelaram para a defesa dos direitos humanos no esporte.
Na página da campanha no site oficial do Arsenal, existem informações sobre a visita de ex-jogadores e mesmo membros do clube para o país africano. O apoio ao Arsenal gira em torno de US$ 13,3 milhões (R$ 75,6 milhões) por ano.
O grupo de torcedores do Arsenal chamado “Gunners for Peace” pediu o fim da parceria com uma campanha. “Esse é o mesmo regime que está financiando uma milícia brutal com milhares de inocentes vítimas no leste da RDC”, afirmam.
O Bayer de Munique também sofreu pressão por parte dos seus torcedores, que levantaram bandeira em protesto ao patrocínio. O clube alemão chegou a receber um pedido de Thérèse Wagnera, ministra congolesa das Relações Exteriores, para encerrar o acordo com Ruanda.
No documento, Thérèse apontou para uma “culpa” considerada “incontestável” de Ruanda no conflito. O Bayern de Munique chegou a se posicionar com a afirmação de que enviaria representantes do clube para Kigali para acompanhar de perto a situação.
Para além do apoio financeiro, o Bayern de Munique está interessado na “internacionalização” da sua marca, em conquistar torcedores no continente africano e assim ter mais receitas.
Resposta congolesa
O Ministro do Esporte e do Lazer da RDC, Didier Budimbu, anunciou recentemente uma parceria com o Monaco, time francês, para o desenvolvimento do esporte e do turismo no país da África Central.
A decisão de apoiar foi anunciada no Conselho de Ministros do país, no dia 9 de maio, e prevê um acordo de três anos. Para o Ministro do Esporte e Lazer, essa parceria abre perspectivas esportivas e econômicas para o país, assim como uma possibilidade de intercâmbio futuro.