Neste sábado (10), o premiê etíope, Abiy Ahmed, anunciou o início da construção de um aeroporto que, segundo ele, será o maior aeroporto da África quando concluído. A obra ocorre na cidade de Bishoftu, a sudeste da capital Adis Abeba.
O premiê fez o anúncio por meio uma publicação em suas redes sociais, descrevendo a construção como o “maior projeto de infraestrutura de aviação na história da África”.
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“Essa estratégia de múltiplos aeroportos busca garantir o papel da Etiópia como principal porta de entrada aérea da África. O Aeroporto Internacional de Bishoftu será o maior projeto de infraestrutura de aviação na história da África. Ele se alinha às reformas econômicas nacionais da Etiópia, à agenda de industrialização e à estratégia de longo prazo na aviação”, declarou o premiê.
A expectativa é de que o aeroporto custe cerca de US$ 12,7 bilhões (cerca de R$ 68,2 bilhões) e, eventualmente, seja capaz de movimentar cerca de 110 milhões de passageiros por ano em sua capacidade total. A previsão é que a construção leve cinco anos.

Parcialmente financiado pela companhia aérea nacional Ethiopian Airlines, o aeroporto de Bishoftu deve substituir o Aeroporto Bole, na capital, que tem capacidade para até 25 milhões de passageiros anualmente. Em sua declaração, Ahmed ressaltou que o novo aeroporto fortalecerá a competitividade global da Ethiopian Airlines, aumentará a conectividade africana, expandirá os corredores de comércio e turismo e posicionará a Etiópia como um grande centro intercontinental.
O projeto inclui ainda uma rodovia de várias pistas para ligar a nova instalação à capital e uma ferrovia de alta velocidade de 38 quilômetros que, segundo Abiy, alcançará velocidades de até 200 km/h.
Conforme informações da agência francesa de notícias AFP, o Banco Africano de Desenvolvimento destinou US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) para o projeto. Além disso, as autoridades etíopes estão em negociações de nova captação com o Banco Asiático de Desenvolvimento, o Banco Europeu de Investimento e a Corporação Financeira de Desenvolvimento dos EUA.
A Etiópia espera atrair o turismo estrangeiro, apesar do conflito armado em curso em suas duas regiões mais populosas — Amhara e Oromia — estando Bishoftu localizada na última.
O futuro aeroporto, que ocupará um área de 35 quilômetros quadrados, já causou o deslocamento de 2,5 mil agricultores que foram reassentados no ano passado a um custo de US$ 350 milhões (cerca de R$ 1,88 bilhões), segundo disse o CEO da Ethiopian Airlines, Mesfin Tasew Bekele, em novembro.
A Etiópia, é o segundo país mais populoso da África, com cerca de 130 milhões de habitantes, e tem lançado grandes projetos de infraestrutura nos últimos anos. O país inaugurou oficialmente a maior barragem do continente no ano passado, além de projetos de renovação urbana que seguem em andamento em Adis Abeba e em outras grandes cidades.