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Fronteira entre RD Congo e Burundi é reaberta após 2 meses fechada por ofensiva do M23

Travessia de Kavimvira volta a operar com exército congolês no controle de Uvira; milhares de refugiados retornam
Cidadãos burundianos deslocados formam fila com seus pertences no lado congolês, enquanto tentam cruzar para o Burundi após o fechamento da fronteira entre a República Democrática do Congo e o Burundi no posto fronteiriço de Kavimvira, em 14 de dezembro de 2025.

Cidadãos burundianos deslocados formam fila com seus pertences no lado congolês, enquanto tentam cruzar para o Burundi após o fechamento da fronteira entre a República Democrática do Congo e o Burundi no posto fronteiriço de Kavimvira, em 14 de dezembro de 2025.

— Jospin Mwisha/AFP

23 de fevereiro de 2026

Um dos principais postos de fronteira entre a RD Congo e o Burundi foi reaberto nesta segunda-feira (23) após mais de dois meses de fechamento provocado pela ofensiva do grupo armado M23, apoiado por Ruanda. A travessia de Kavimvira, localizada às margens do Lago Tanganica e responsável por conectar a cidade congolesa de Uvira à capital econômica burundesa, Bujumbura, voltou a operar depois que autoridades congolesas reassumiram o controle da área.

Autoridades do lado congolês e um oficial da polícia burundesa confirmaram a reabertura da passagem, que liga a cidade de Uvira, na província de Kivu do Sul, à capital econômica do Burundi, Bujumbura. O governador de Kivu do Sul, Jean-Jacques Purusi, informou que a fronteira foi reaberta às 8h locais.

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“Podemos ver muitos congoleses voltando para casa” através da fronteira, declarou um oficial da polícia de fronteira de Burundi à agência francesa AFP, sob condição de anonimato.

O posto de Kavimvira foi fechado em dezembro, quando o grupo M23 lançou uma ofensiva para tomar Uvira, cidade estratégica às margens do lago Tanganica que faz fronteira com Burundi, Zâmbia e Tanzânia. O grupo chegou a ocupar o município em 10 de dezembro, em meio a uma série de avanços que já haviam resultado na tomada das capitais provinciais Goma (Kivu do Norte) e Bukavu (Kivu do Sul).

Uma semana após a ocupação, o M23 anunciou a retirada unilateral de suas tropas de Uvira, atendendo a um pedido da mediação norte-americana, que buscava negociar a pacificação da região. Em 17 de dezembro, combatentes e veículos do grupo foram vistos deixando a cidade em direção ao norte. A retirada completa foi concluída em janeiro, quando o exército congolês (FARDC) retomou o controle do município.

Danos e retomada

Antes de deixar Uvira, o M23 promoveu “saques sistemáticos” na cidade, segundo denúncia das Forças Armadas da RD Congo. O escritório local da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) foi vandalizado e saqueado, com a perda de kits eleitorais, equipamentos de informática, geradores e painéis solares.

O governo congolês afirmou ter iniciado a implementação de um plano para restaurar gradualmente a autoridade do Estado em Uvira e áreas circunvizinhas. Com o exército de volta ao controle da cidade, as autoridades consideraram segura a reabertura da fronteira.

A ofensiva do M23 provocou a fuga em massa da população. Dezenas de milhares de congoleses buscaram refúgio no Burundi. Apenas na semana da tomada de Uvira, mais de 30 mil pessoas cruzaram a fronteira, com registros de mais de 8 mil chegadas por dia nos dois dias que antecederam o fechamento dos postos.

Com a reabertura da travessia de Kavimvira, o movimento se inverteu. As autoridades burundesas relataram grande fluxo de congoleses retornando às suas casas.

Fontes ouvidas pela AFP informaram que outros postos de fronteira entre Burundi e RD Congo em zonas onde o M23 permanece implantado continuam fechados. O grupo mantém controle sobre extensas áreas no leste congolês, incluindo as capitais provinciais Goma e Bukavu, além de territórios ao longo da fronteira.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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