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M23 anuncia retirada de cidade estratégica na RD Congo após pressão dos EUA

Grupo armado diz que deixará Uvira, cidade que controlava a fronteira com o Burundi, a pedido de Washington; fontes locais, no entanto, relatam que a milícia ainda permanece na área
Uma viatura do movimento M23 faz patrulha em Uvira, em 13 de dezembro de 2025.

Uma viatura do movimento M23 faz patrulha em Uvira, em 13 de dezembro de 2025.

— Jospin Mwisha/AFP

16 de dezembro de 2025

O grupo armado M23 anunciou, nesta terça-feira (16), a retirada de suas forças da cidade de Uvira, no leste da República Democrática do Congo (RDC). A decisão ocorre após exigência de Washington. Os Estados Unidos prometeram “ações” em resposta à violação do acordo de paz mediado pelo governo norte-americano no início de dezembro.

A milícia, que tem apoio de Ruanda, capturou a cidade estratégica na última quarta-feira (10). O avanço ocorreu poucos dias após a assinatura de um tratado em Washington entre os governos da RD Congo e de Ruanda. A ofensiva do M23 colocou em dúvida o futuro do processo de paz e elevou o temor de uma guerra regional.

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Corneille Nangaa, líder do braço político do M23, afirmou em comunicado que o grupo fará a “retirada unilateral de suas forças da cidade de Uvira, conforme solicitado pelos mediadores dos EUA”. Segundo o grupo, o movimento busca “incutir confiança para dar ao processo de paz de Doha todas as chances de sucesso”.

Relatos divergentes em Uvira

Apesar do anúncio de retirada, informações sobre a situação em solo apresentam contrastes. De acordo com fontes ouvidas pela Alma Preta, o M23 ainda permanece em Uvira. Os relatos sobre o período de ocupação também divergem entre os moradores.

Algumas fontes descrevem uma presença sem grandes incidentes ou violência direta. Outros depoimentos, contudo, indicam um clima de insegurança e restrição. Nesses relatos, as pessoas afirmam que não se sentiram livres e optaram pelo isolamento dentro de casa para evitar o contato com os milicianos.

O balanço oficial de ONGs e da Organização das Nações Unidas (ONU) indica que a ofensiva em Kivu do Sul, iniciada em dezembro, resultou em dezenas de mortes, pelo menos 100 feridos e mais de 200 mil pessoas deslocadas de suas casas.

Geopolítica e recursos minerais

A cidade de Uvira possui importância estratégica por permitir o controle da fronteira terrestre com o Burundi. A ocupação isolou a RDC do apoio militar de seu vizinho. No sábado (13), o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que Ruanda violou de forma clara o acordo de 4 de dezembro. Mike Waltz, embaixador dos EUA na ONU, acusou Ruanda de levar a região para a instabilidade.

Ruanda nega o apoio militar ao M23. O governo ruandês alega que enfrenta ameaças de milícias hutus baseadas no Congo. No entanto, especialistas da ONU afirmam que o exército de Ruanda desempenha papel fundamental nas operações do M23.

O interesse dos Estados Unidos na região também envolve a segurança do suprimento de minerais críticos. O leste da RDC possui depósitos de cobre, cobalto, coltan e lítio, essenciais para a fabricação de baterias de carros elétricos, celulares e armamentos. O governo norte-americano busca assegurar o acesso a esses recursos frente à presença da China no setor mineiro congolês.

O M23 declara que seu objetivo final é a queda do governo do presidente Felix Tshisekedi. Apesar do anúncio de saída de Uvira, ambos os lados do conflito trocam acusações de violação do cessar-fogo em outras frentes de batalha.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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